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Prêmios para soja do Brasil ficam firmes apesar de alta em Chicago, diz S&P Global Platts

15 mai 2019
18h09
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Os prêmios pagos pela soja do Brasil, que mais que dobraram no acumulado de maio, compensando uma queda nas cotações da bolsa de Chicago no início do mês, continuam firmes apesar de o mercado de referência global nos EUA ter registrado ganhos nas últimas três sessões, apontou a S&P Global Platts nesta quarta-feira.

Campos Lindos, Brasil 
18/2/2018 REUTERS/Ueslei Marcelino
Campos Lindos, Brasil 18/2/2018 REUTERS/Ueslei Marcelino
Foto: Reuters

O prêmio para exportação de soja geralmente age como uma espécie de antídoto para quedas em Chicago, e o contrário também é verdadeiro. Mas, nesses últimos dias, com o mercado registrando mais compras da China, os diferenciais não têm caminhado na intensidade oposta às altas em Chicago, como seria o normal.

Isso denota que a demanda chinesa por soja do Brasil está mais forte após EUA e China terem falhado na semana passada em obter um acordo comercial, afirmou à Reuters o editor para grãos e oleaginosas na América Latina da S&P Global Platts, Gustavo Bonato

"A demanda por soja do Brasil está muito aquecida", disse o especialista da empresa que realiza levantamentos de preços e diferenciais criados para dar referência aos mercados.

Os contratos futuros da soja para julho na bolsa de Chicago fecharam em alta de 4 centavos, a 8,355 dólares por bushel, após ter atingido quase 8,50 dólares na máxima da sessão desta quarta-feira.

Com o movimento desta quarta-feira, o contrato ganhou 4 por cento desde o início da semana, recuperando grande parte das perdas registradas no mês, período em que o mercado foi fortemente afetado por um colapso nas negociações comerciais entre China e EUA na semana passada.

Já os prêmios para embarque em Santos haviam mais do que dobrado no acumulado do mês, para 90 centavos de dólar por bushel, até terça-feira, e ficaram firmes ao longo desta quarta-feira. A S&P Global Platts só divulga os dados diários fechados ao final do dia.

O mesmo ocorreu com os preços na exportação em Santos, que haviam subido 10 dólares por toneladas ao longo do mês até terça-feira, para 338,61 dólares por tonelada (FOB).

Segundo Bonato, as incertezas geradas pela guerra comercial entre EUA e China tinham deixado operadores mais cautelosos em realizar grandes compras do Brasil nos últimos tempos, diante da possibilidade de um acordo sino-americano, que agora deve levar mais tempo.

"As incertezas sobre o 'trade war' no curto e médio prazos estão gerando um encurtamento do período de compras, quem está fazendo negócio, faz mais da mão para boca (dentro da necessidade), porque a pessoa não sabe se mais para frente vai ter soja dos EUA no mercado", disse ele.

Os norte-americanos contam com grande estoque de soja, após reduzirem seus embarques fortemente em 2018, diante da tarifa chinesa retaliatória de 25 por cento sobre o produto dos EUA, que trouxe grande parte da demanda da China ao Brasil, o maior exportador global.

Segundo Bonato, os agentes têm reportado negócios mais com soja do Brasil colocada na China, com tradings de médio e grande portes, com mais estrutura, fechando acordos na base custo e frete, o que lhes daria vantagens sobre concorrentes.

Um retorno mais forte da China ao mercado do Brasil poderia colaborar para uma eventual reversão da queda nas compras chinesas no país verificadas no primeiro quadrimestre.

O especialista comentou que a firmeza no prêmio também está associada à vontade de venda de produtores, que ficariam recuados se o diferencial se enfraquecesse.

De outro lado, ele disse ainda que, com os prêmios firmes apesar da alta em Chicago, os compradores estão mais recuados, enquanto a oferta se mantém relativamente estável, o que indica que o vendedor no Brasil "não está disposto a ceder muito".

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