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Petróleo despenca e Brent entra em 'bear market' após Opep indicar maior oferta

13 nov 2018
18h20
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Os contratos futuros de petróleo encerraram o pregão desta terça-feira, 13, em forte baixa, com o WTI amargando a 12ª sessão consecutiva de perdas, em um sell-off que foi impulsionado por temores de uma produção global em alta e pelo enfraquecimento da demanda pela commodity.

Na Intercontinental Exchange (ICE), o barril do petróleo tipo Brent para entrega em janeiro fechou em queda de 6,63%, cotado a US$ 65,47, enquanto o WTI para dezembro, negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), despencou 7,07%, cotado a US$ 55,69 por barril, no menor nível desde 14 de novembro de 2017. Com esse fechamento, o petróleo Brent entrou em "bear market", que ocorre quando a cotação recua 20% ou mais em relação ao último pico

"O mercado está ficando fora de controle", afirmou o vice-presidente de pesquisa de mercados da Tradition Energy, Eugene McGillian. "É realmente uma continuação do que temos visto antes e, além disso, há incerteza em relação aos tuítes de Donald Trump para os produtores", apontou o analistas. Na última segunda-feira, Trump disse esperar que a Arábia Saudita e a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) não cortem a produção de petróleo. "Os preços do petróleo deveriam estar muito mais baixos com base na oferta", afirmou o líder americano em seu perfil no Twitter.

Na manhã desta quarta-feira, a própria Opep apontou que houve maior oferta da commodity. Em documento mensal sobre o mercado de petróleo, o cartel informou que tanto ele quanto a Rússia elevaram a produção do óleo, o que compensou as perdas registradas no Irã, que, no início deste mês, voltou a ser afetado por sanções implementadas pelos Estados Unidos. A produção da Opep teve aumento de 127 mil barris por dia (bpd) em outubro, para 32,9 milhões de bpd, enquanto a produção da Rússia aumentou 50 mil bpd no mês passado, para 11,6 milhões de bpd, estabelecendo um novo recorde no período pós-soviético.

Os preços do petróleo vêm caindo desde meados de outubro, depois que Washington decidiu amenizar as sanções ao Irã ao conceder isenções a alguns compradores do óleo de Teerã. "Houve uma mudança radical no sentimentos. Parece que estamos em uma situação de excesso de oferta", afirmou o sócio-fundador da Again Capital, John Kilduff.

Na avaliação da economista-chefe de commodities da Capital Economics, Caroline Bain, com o petróleo em "bear market", "os preços do óleo estão, agora, próximos de nossa projeção para o fim do ano e esperamos que os preços caiam ainda mais em 2019 à medida que o crescimento na demanda perde força e a oferta se mantém ampla". A consultoria britânica acredita que o Brent chegará ao fim de 2019 cotado a US$ 60 por barril. (Com informações da Dow Jones Newswires)

Estadão

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