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Petrobras e Shell dominam leilões do pré-sal; ágio em óleo passa de 200%

27 out 2017
18h27
atualizado em 28/10/2017 às 09h14
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Os dois leilões do pré-sal nesta sexta-feira tiveram seis blocos arrematados, dos oito ofertados, mas aqueles vendidos garantiram ágios expressivos em óleo lucro à União, numa licitação que atraiu petroleiras como a Exxon Mobil e teve como destaques a Shell e a Petrobras.

Plataforma de petróleo no Porto do Açu, em São João da Barra, no Rio de Janeiro
07/06/2016
REUTERS/Ricardo Moraes
Plataforma de petróleo no Porto do Açu, em São João da Barra, no Rio de Janeiro 07/06/2016 REUTERS/Ricardo Moraes
Foto: Reuters

Apesar de o bônus de assinatura pago ao governo ter ficado em 6,15 bilhões de reais --ante 7,7 bilhões de reais projetados se todos os blocos tivessem sido arrematados--, a União levou percentuais de óleo de até 80 por cento, registrado na licitação da área do Entorno de Sapinhoá, na Bacia de Santos.

Além disso, o leilão verificou fortes disputas nas áreas de Peroba e Norte de Carcará, com óleo lucro de 76,9 e 67,1 por cento, respectivamente --o petróleo ofertado ao governo define o vencedor nos leilões sob regime de partilha.

"Tivemos um excelente resultado.... Obtivemos bônus de outorga expressivo e o excedente em óleo a ser repartido com a União alcançou cifras significativas... A exploração das reservas deverá gerar ainda cerca de 130 bilhões de dólares em royalties e outras fontes de arrecadação", afirmou o presidente Michel Temer, em nota.

O leilão foi realizado após mudanças regulatórias que despertaram um maior apetite dos investidores globais, como o fim da obrigação de a Petrobras ser operadora única, embora isso tenha atraído a ira de sindicatos de petroleiros e partidos de esquerda.

Houve tentativa de bloquear o certame por meio de liminar judicial, e a rodada começou com atraso de cerca de duas horas e 30 minutos, até que o governo conseguisse reverter a decisão da Justiça.

Na 2ª Rodada, o ágio do excedente em óleo ofertado foi de 260,98 por cento e, na 3ª Rodada, de 202,18 por cento, segundo a ANP. A 1ª Rodada do pré-sal, realizada em 2013 sob regras mais restritivas à participação das companhias, teve ágio zero pela mega reserva de Libra, com participação de apenas um consórcio, liderado pela Petrobras.

Nos leilões desta sexta-feira, apenas duas áreas não tiveram ágio, sendo que os maiores lances foram os liderados pela petroleira estatal, reforçando seu protagonismo na região.

"O que nós observamos é que havia grandes empresas globais, com alto grau de interesse, e nessa situação não poderíamos nos dar ao luxo de perder essas oportunidades, por isso fomos no valor que estávamos autorizados a pagar", explicou o presidente da Petrobras, Pedro Parente, a jornalistas ao final da disputa.

Segundo o executivo, os investimentos nas áreas vão gerar "retorno adequado" para os acionistas e não irão impactar o planejamento financeiro da companhia.

PROTAGONISMO

Apenas consórcios liderados por empresas que já são operadoras no pré-sal brasileiro (Petrobras, Shell e Statoil) venceram o leilão, ante expectativa do governo de ver uma diversificação das lideranças na importante província petrolífera.

Apesar de a operação das novas áreas seguir nas mãos das companhias que já atuam no Brasil, o leilão mostrou a entrada de novas empresas no polígono do pré-sal, como a norte-americana Exxon, que ficou fora por um bom tempo de grandes investimentos em exploração no Brasil, mas voltou forte neste ano com gastos de bilhões de reais.

Já o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Décio Oddone, afirmou não se surpreender que empresas estrangeiras tenham buscado se associar à Petrobras no Brasil.

"O protagonismo da Petrobras é normal. Ela é daqui, conhece e tem história", destacou Oddone.

A estatal fez ofertas com a anglo-holandesa Shell, a britânica BP, a chinesas CNODC e a Repsol Sinopec.

GRANDES VENCEDORAS

Já a Shell, que levou duas áreas como operadora e uma como participante, reafirmou seu forte interesse no pré-sal brasileiro, onde se tornou a segunda maior produtora, após comprar a gigante BG.

Para o CEO da Shell no Brasil, André Araújo, o resultado foi ótimo. Segundo ele, os lances da Shell no pré-sal consolidam a posição da companhia no Brasil.

"Nossa participação foi super ativa, estou extremamente feliz e seremos operadores em dois blocos, o que é extremamente importante para nós", disse ele a jornalistas.

"Buscávamos oportunidade como operador. O apetite nosso não é novo, temos há muito tempo... o Brasil oferece condições de investimento e oportunidades", afirmou.

A BP, que venceu como participante em duas áreas, ambas lideradas pela Petrobras, está ansiosa por avançar em um ritmo rápido, segundo Bernard Looney, chefe global da área de produção e exploração da empresa, após o leilão.

"Existe um verdadeiro orgulho com a parceria que temos com a Petrobras, provavelmente o principal operador de águas profundas do mundo", afirmou o executivo.

Como esperado pelo mercado, as áreas de Entorno de Sapinhoá e Gato do Mato foram arrematadas por consórcios que já atuam em áreas adjacentes.

No caso do Entorno de Sapinhoá, o consórcio vencedor foi Petrobras, como operadora, em parceria com Shell e Repsol Sinopec. Já no caso de Gato do Mato, venceram as petroleiras Shell, como operadora, e Total.

Peroba, área bastante concorrida no dia, com a disputa de três consórcios, foi vencida por Petrobras, como operadora, BP e CNODC, com oferta de 76,96 por cento de óleo à União.

A área de Carcará foi vencida pelo consórcio Statoil, como operadora, Exxon e Petrogal.

A área de Alto de Cabo Frio Central foi levada por Petrobras, como operadora, e BP, e Alto de Cabo Frio Oeste, por Shell, QPI e CNOOC.

Pau Brasil e Sudoeste de Tartaruga Verde não receberam lances, mesmo após duas oportunidades oferecidas para cada uma durante os leilões. Ambas as áreas voltarão a ser ofertadas em algum momento, segundo a reguladora ANP.

(Com reportagem adicional de Simon Webb e Alexandra Alper)

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