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PESQUISA-Greve praticamente paralisa economia do Brasil no 2º tri

24 ago 2018 - 15h58
(atualizado às 17h58)
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A economia brasileira quase não cresceu no segundo trimestre deste ano sob o efeito da greve dos caminhoneiros, mostrou pesquisa da Reuters nesta sexta-feira, soando um alerta sobre a perspectiva econômica antes das eleições de outubro.

Caminhoneiros bloqueiam trecho da BR-116 durante greve 
21/05/2018
REUTERS/Rodolfo Buhrer
Caminhoneiros bloqueiam trecho da BR-116 durante greve 21/05/2018 REUTERS/Rodolfo Buhrer
Foto: Rodolfo Buhrer / Reuters

O Produto Interno Bruto (PIB) provavelmente cresceu apenas 0,1 por cento em relação aos primeiros três meses do ano, de acordo com a mediana de 28 estimativas.

Seria o ritmo mais lento desde que o Brasil emergiu, no início de 2017, de sua recessão mais profunda em décadas e evidência de que a expansão econômica global está se tornando cada vez mais desigual, mesmo entre economias emergentes.

Cinco economistas previram contração, com a Austin Rating vendo o cenário mais pessimista, com projeção de queda de 0,6 por cento. Apenas uma casa, Societe Generale, estimou aceleração em relação à taxa de 0,4 por cento apurada no primeiro trimestre, a 0,6 por cento.

Comparado com o ano anterior, o PIB deve ter crescido apenas 1,1 por cento no segundo trimestre, o mais fraco desde o segundo trimestre de 2017.

Os resultados da pesquisa parecem confirmar uma série de revisões às projeções de crescimento para 2018, tanto no setor privado quanto no setor público, desde a greve. Pesquisa Focus mias recente, do próprio Banco Central com analistas, aponta crescimento anual de 1,49 por cento, queda forte em relação aos 2,50 por cento previstos antes dos protestos.

A greve reduziu o crescimento do PIB em 0,48 ponto percentual, baseado na mediana de 12 estimativas fornecidas como resposta a uma pergunta extra na pesquisa da Reuters. As projeções variaram entre 0,2 e 1,2 ponto percentual, sugerindo que o impacto exato ainda é altamente incerto.

Os protestos já haviam afetado diversos indicadores econômicos para o período, de vendas no varejo e produção industrial à atividade de serviços e à confiança.

Embora alguns já viessem apontando um repique, economistas parecem céticos de que o crescimento vai acelerar em breve. Sinal disso é que dez de 13 economistas, que responderam a uma pergunta qualitativa, previram que o investimento contraiu no segundo trimestre, interrompendo série de quatro trimestres seguidos de alta que teve como pano de fundo juros na mínima histórica.

Isso pinta um quadro de obstáculos duradouros ao crescimento, em vez de um solavanco passageiro, o que só deve se acentuar na medida em que a incerteza eleitoral afasta qualquer perspectiva de planejamento.

"A greve deu um golpe contra a economia, que já estava fraca e não deve sarar muito rápido. Especialmente porque as eleições vão fazer as empresas adiarem investimentos e secar o crédito", disse o economista da Infinity Asset Jason Vieira.

A recuperação lenta deve manter o desemprego elevado e permitir que o BC evite elevar os juros mesmo com o dólar saltando à máxima em dois anos e meio, pressionado por preocupações com a situação eleitoral.

Pesquisas recentes vêm apontando chances crescentes de um segundo turno entre Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL), com o favorito do mercado Geraldo Alckmin (PSDB) tendo dificuldades para decolar.

Investidores acreditam que Haddad não implementaria reformas estruturais necessárias para limitar o crescimento da dívida e restaurar a confiança e o investimento.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o resultado do PIB no segundo trimestre no próximo dia 31.

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