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Para analistas, reforma abre espaço para queda de juro

Aprovação do texto em 1º turno já trouxe um certo otimismo para o mercado, avalia sócio de gestora

20 jul 2019
04h12
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A gestora Vinci Partners acaba de concluir uma captação de R$ 4 bilhões do terceiro fundo de private equity - que investe em participação em empresas. Cerca de 70% desse volume veio de investidores estrangeiros, cuja maior preocupação estava relacionada à capacidade de solvência do País e ao câmbio. "Boa parte dos questionamentos era sobre a questão fiscal e os desdobramentos nos indicadores econômicos", diz o sócio responsável pela área de private equity da Vinci, Bruno Zaremba.

Ele avalia que a aprovação da reforma em primeiro turno já trouxe um certo otimismo para o mercado. "O principal ponto é que tira um componente de risco importante da mesa. É um avanço significativo e nossa expectativa é que se traduza em impacto positivo no crescimento ao longo do tempo." A exemplo de outros economistas, ele acredita que a reforma vai dar subsídios para o Banco Central reduzir a taxa de juros na próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom).

"Para nós, isso significa ampliar nossa base de clientes. Hoje os investidores domésticos não são grandes investidores de private equity", explica ele, destacando que, como os juros eram elevados, não havia a necessidade de buscar ativos alternativos para remunerar o patrimônio. "Estamos falando de trilhões de reais que terão de ser realocados."

O presidente do banco Fator, Gabriel Galípolo, é mais cético em relação ao choque de confiança que a reforma da Previdência pode provocar no crescimento econômico. Ele entende que mais investidores estrangeiros virão para o País, mas para aplicar na bolsa de valores. "Tenho dúvidas se terá alcance na economia real, que está muito debilitada e sem dinamismo. Não acho que o cara da padaria vai contratar mais um funcionário por causa da aprovação da reforma."

Queda dos juros

De qualquer forma, ele entende que haverá mais espaço para o Banco Central reduzir a taxa de juros, ainda neste mês. Na prática, isso vai ajudar as empresas a se financiarem no mercado. O problema é que a economia brasileira está sem tração e com elevada capacidade ociosa. Isso significa que a demanda precisa ser retomada para aumentar a produção das empresas.

O chefe de economia e estratégia do Bank of America Merrill Lynch no Brasil, David Beker, afirma que empresários clientes do banco indicam não ter pressa para investir, pois suas plantas estão operando com alta ociosidade. A tendência, porém, é começar a haver melhoras nesse cenário com o avanço da reforma, destaca.

O economista-chefe do Itaú Unibanco, Mario Mesquita, acredita que a reforma da Previdência, com ampla vantagem na votação de primeiro turno, pode ter um efeito psicológico entre os investidores, que precisam de clareza para tomar decisões. A reforma sozinha, diz ele, não garante que o governo vai concluir o ajuste fiscal, mas sem ela seria um desastre.

Beker corrobora a opinião de Mesquita. Segundo ele, no mercado financeiro, os investidores estrangeiros vinham mostrado interesse no Brasil, mas esperavam sinais concretos de avanço na situação fiscal para apostar no País. "Não havia nada sólido para falar para eles. Agora começa a haver, mas o mercado (os ativos) também já está mais caro."

Estadão
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