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Para analistas, ações de bancos seguem atraentes, apesar de riscos

Mercado financeiro ainda tem otimismo sobre o desempenho do Ibovespa na próxima semana

15 set 2018
04h11
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Setor de peso no Índice Bovespa, os bancos ficaram no radar esta semana com relatórios de analistas sobre as perspectivas para o segmento com as eleições presidenciais. A possibilidade de aumento de impostos e de elevação da concorrência no setor em um futuro governo foi alvo de análises, mas, apesar dos riscos levantados, profissionais do mercado veem ainda rentabilidade atraente à frente.

Para o UBS, mesmo que os candidatos não tenham indicado diretamente a intenção de elevar impostos para a indústria bancária, há riscos de que isso se concretize, já que a maioria dos postulantes propõem resolver o problema do déficit fiscal. O Goldman Sachs tem projeções positivas para os bancos em 2019, com potencial de ser o melhor ano para o setor desde 2009, com aumento nos lucros que podem chegar a 20%. No entanto, alerta que o resultado das eleições pode colocar em risco essa tendência, dependendo das políticas de juros e regulatórias do novo presidente.

O analista da Magliano Invest, Sergio Goldman, afirma que, independentemente de quem vença a eleição, a competição no setor deverá aumentar. "Mas achamos que os bancos brasileiros serão capazes de manter níveis de rentabilidade atraentes no médio e longo prazo. Por isso, o setor é um daqueles onde correções exageradas de preço das ações deverão ser vistas como oportunidades para aumentar posição nesses papéis."

Felipe Silveira, analista da Coinvalores, diz que a corretora tem recomendado o setor bancário, especialmente pela resiliência apresentada mesmo em períodos mais complicados da economia.

No entanto, ele salienta que, neste momento de incertezas, fica ainda mais importante manter uma carteira diversificada e equilibrada. "Além disso, o investidor pode aproveitar para comprar papéis que tenham bons fundamentos e que, por conta do risco político, tenham ficado com um preço mais atrativo", afirma.

O analista da Lerosa, Vitor Suzaki, lembra que postulantes à presidência já falaram em mudanças na área. "Dois dos principais candidatos de esquerda já mencionaram a possibilidade de alterações, seja com maior taxação de impostos ou alterações regulatórias, ou uma volta da utilização de bancos públicos para concessão de empréstimos a juros baixos. Isso tem claro impacto no setor, em especial para Caixa e BB que nos últimos dois anos vêm conseguindo operar em níveis melhores e sem a necessidade de reforço do Tesouro."

Para ele, os investidores devem manter a estratégia de redução do risco, com menor exposição a estatais, por exemplo, ou mesmo manter a participação nos bancos de acordo com sua fatia no Ibovespa, que soma quase um quarto do índice, diz. "Ainda, deve-se privilegiar empresas com posição de liderança, de setores menos voláteis e de menor concorrência, conseguindo implementar seu poder de precificação e rentabilidade."

Sobre as eleições, Goldman, da Magliano, também reforça a estratégia defensiva. "Com a alta incerteza na eleição presidencial, continuamos a sugerir que investidores reduzam posição em Bolsa, mantenham estratégia defensiva na posição que permanecer na B3 e, para os que têm realmente uma visão de longo prazo, aproveitem correções exageradas no preço de ações de companhias de qualidade para elevar a posição nessas empresas."

Expectativa do mercado para Bolsa é positiva

A maioria das expectativas captadas pelo Termômetro Broadcast Bolsa mostra um mercado financeiro ainda otimista sobre o desempenho do Ibovespa na próxima semana (dias 17 a 21). A pesquisa tem por objetivo captar o sentimento de operadores, analistas e gestores para o comportamento do índice na semana seguinte. Entre 19 respostas, a percepção é de alta para 52,63% dos participantes, ante 57,14% na pesquisa anterior; de estabilidade para 21,05%, ante 14,29% na anterior; e de queda para 26,32%, de 28,57% no último levantamento. A Bolsa apurou perda semanal de 1,29%.

O calendário eleitoral deve seguir no foco das atenções na próxima semana, com o investidor de olho em pesquisas de intenção de voto e na movimentação dos candidatos à Presidência. Em especial, estão sob cuidadosa monitoração as condições clínicas de Jair Bolsonaro (PSL), que segue internado desde a semana passada após ter levado uma facada em campanha de rua em Juiz de Fora (MG). Quanto às pesquisas, são esperados levantamentos do Ibope e do instituto MDA sobre a corrida presidencial.

Na agenda local de indicadores e eventos, o destaque é a decisão sobre a Selic, que será anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na quarta-feira. Pesquisa realizada pelo Projeções Broadcast, com 69 instituições do mercado financeiro, mostra que a expectativa de manutenção da taxa básica no atual patamar de 6,5% é unânime. A semana terminará com a divulgação do IPCA-15 de setembro. "Estimamos alta de 0,18%, com a continuidade da trajetória de aceleração dos núcleos", afirmam, em relatório, os economistas do Bradesco.

Na B3, haverá vencimento de opções sobre ações na segunda-feira. No exterior, a semana tem poucos destaques, entre eles discursos do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi.

Estadão

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