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Brasil pode se tornar o principal produtor mundial de soja

26 set 2013
07h39
atualizado em 3/10/2013 às 10h08
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O aumento no PIB brasileiro no segundo trimestre de 2013 foi puxado pelo setor agropecuário, que chegou a crescer 12,96% em relação ao mesmo período de 2012. Um dos motivos foi a queda na produção norte-americana de soja, registrada desde a safra anterior. Para a próxima colheita, que se inicia neste mês, a projeção segue a mesma: o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu as expectativas de produção no seu último relatório, divulgado em setembro. De 88,6 milhões de toneladas, os americanos esperam agora colher 85,7 milhões, marca abaixo da estimativa brasileira, de 88 milhões de toneladas colhidas. Confirmado o cenário, o Brasil se tornará o maior produtor do grão.

O impacto da soja no setor agropecuário brasileiro representa 29,7% do valor bruto de produção (VBP) de todas as lavouras nacionais. Por isso, supersafras ou quebras impactam diretamente nos resultados do PIB: no caso atual, o Brasil poderá continuar vendendo sua alta produção pelos bons preços correntes, que se mantêm assim devido às más colheitas norte-americanas dos últimos dois anos, reduzindo os estoques mundiais de soja e mantendo alto o valor da commodity.

Entretanto, é necessária cautela com os bons resultados divulgados. A quebra das safras dos Estados Unidos é precisamente o que faz os países – como a China, principal comprador mundial – procurarem o Brasil. “Antes os países importadores compravam dos Estados Unidos, não iam ficar vários dias esperando num porto brasileiro. Mas com esse problema (da quebra americana), os importadores ficaram sem matéria-prima e se obrigaram a nos procurar”, avalia o presidente da Aprosoja Brasil, Glauber Silveira. Por isso, segundo especialistas, se não houver investimentos em melhoras, especialmente de infraestrutura e logística, o produtor brasileiro estará sempre dependente das colheitas dos Estados Unidos.

Clima

O problema ocorrido por lá foi essencialmente climático, atrasando o plantio em algumas semanas. Na colheita anterior, também foram problemas de clima que influenciaram os fracos resultados. Dessa maneira, o Brasil, atual segundo maior produtor mundial, fortaleceu suas exportações: é esperado um aumento de 3,7% nos embarques, mantendo o país no primeiro lugar mundial em exportação conquistado nos últimos anos.

Segundo o coordenador geral de planejamento estratégico do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, José Garcia Gasques, os modelos climáticos disponíveis indicam que a colheita brasileira, que se inicia neste mês, não deverá passar por problemas climáticos como os enfrentados pelos norte-americanos. Ele acredita que os bons preços das tecnologias foram os principais responsáveis pela boa safra colhida no Brasil em 2013; já Silveira acrescenta o aumento da área plantada, com um incremento de 50% na última década.

Os estados brasileiros que mais produzem soja são, pela ordem, Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul - este último verificou, no segundo trimestre de 2013, um crescimento de 111,7% no setor agropecuário em relação ao mesmo período de 2012, combinação da quebra da colheita no ano passado aliada à supersafra atual.

Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra
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