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O mercado de trabalho no trimestre da pandemia

Força de trabalho caiu quase tanto quanto a população ocupada, após trabalhadores pararem de procurar novas vagas

7 ago 2020
04h10
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A Pnad Contínua de junho de 2020 mostrou o tamanho da crise no segundo trimestre do ano, que já captura todo período do pior momento da pandemia, tendo em vista que o primeiro caso confirmado no Brasil foi na metade de março. A pesquisa mostra uma população com cada vez menos empregos, com o número de ocupações 10 milhões abaixo do nível do mesmo período do ano passado.

Entre os trabalhadores que mais sentiram o impacto da pandemia, destaca-se aqueles no setor informal, com reduções chegando a mais de 15%. No entanto, também preocupa a redução de 1 milhão de trabalhadores no setor privado com carteira assinada (excluindo trabalhadores domésticos) entre o trimestre móvel de maio e junho, principalmente frente a um saldo de vagas no Caged (o registro de admissões e demissões, do Ministério da Economia) aparentemente mais brando no último mês, de queda de "apenas" 10 mil empregos formais.

Outro indicador que aparenta estar melhor do que deveria normalmente é a taxa de desocupação. Com uma queda de mais de 10% da população ocupada, é de se estranhar, a princípio, que a taxa de desemprego esteja em apenas 13,3%, ainda menor do que o até então pior período verificado na Pnad Contínua, no primeiro trimestre de 2017.

No entanto, deve-se notar que a força de trabalho caiu quase tanto quanto a população ocupada, reflexo do fato de os trabalhadores não procurarem novas ocupações, seja pelo medo da pandemia, pela percepção de falta de empregos na localidade, e porque estão recebendo o Auxílio Emergencial. Caso a força de trabalho (ocupados e procurando emprego) estivesse no mesmo nível do trimestre móvel de fevereiro, hoje a taxa de desocupação seria de 21,4%.

*PESQUISADOR DA ÁREA DE ECONOMIA APLICADA DO INSTITUTO BRASILEIRO DE ECONOMIA DA FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS (IBRE-FGV)

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