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Inteligência Artificial, pagamentos online, logística de entrega de encomendas, tudo isso vai mudar ainda mais as relações de consumo

15 jun 2019
04h10
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Lá se vão 20 anos. Vivíamos o temor mundial de como seria a virada do ano de 1999 - a tecnologia se voltando contra todos através de um bug do milênio? Para mim, o que realmente causava curiosidade, ansiedade e entusiasmo à época era imaginar o que toda aquela revolução tecnológica a partir do advento da internet comercial poderia provocar nas nossas relações de consumo. Hoje, depois de ver o comércio eletrônico nascer e avançar na América Latina, eu me mantenho intrigado, com muitas dúvidas e a certeza de que o melhor ainda não chegou.

Em todos esse anos participando ativamente dessa história, assisti a ampliação da conectividade, o surgimento do smartphone e a explosão da interatividade. Saímos de compras tentativas e experimentais, primeiro nos segmentos de livros e de eletrônicos, para a possibilidade de adquirirmos quase tudo o que pode ser comprado no ambiente físico por meio do comércio eletrônico. Somente no ano passado, 58 milhões de pessoas realizaram pelo menos uma compra online no Brasil, segundo dados da Ebit Nielsen.

No entanto, mesmo tendo crescido em média 12% nos últimos dois anos, enquanto o varejo offline avançou pouco mais 2% no mesmo período, o e-commerce ainda tem uma penetração tímida no Brasil: pouco mais de 5% de todo o volume do varejo nacional. Os Estados Unidos já chegaram a 12% e a China, mercado mais maduro do planeta, a 20% de compras online. São muitas as variáveis que explicam os diferentes níveis de maturidade dos países, mas vejo um caminho certeiro para acelerar a adoção do comércio online no Brasil: inovação tecnológica aplicada à jornada de compra para uma experiência do consumidor mais qualitativa, rápida e fluida.

O uso de Inteligência Artificial, por exemplo, permite ao varejo acompanhar bem mais de perto as preferências do consumidor, fazer análises preditivas e oferecer uma experiência com um nível de personalização inimaginável em um passado recente. Também não seria possível prever a crescente sinergia entre o varejo e as tecnologias de processamento de pagamentos online e offline, desde a sofisticação dos gateways para e-commerces até as soluções de pagamento instantâneo, como o código QR, que une os mundos virtual e físico por meio das carteiras digitais. Graças a essas tecnologias, realizar compras sem dinheiro físico, sem cartão de crédito ou até mesmo sem conta em banco já é uma realidade.

Mas é na etapa da entrega dos produtos que mais precisamos avançar. É certo que os grandes e-commerces já estão se equipando com malhas logísticas mais robustas e operações automatizadas. Mesmo assim, ainda é significativo o impacto dos entraves de infraestrutura do Brasil na entrega mais rápida e mais barata que todos almejam. Resolver essas questões sensíveis envolve esforços somados de marketplaces, empreendedores, governo, empresas de transporte e de tecnologia. Já avançamos bastante, considerando as dimensões continentais do País, mas falta muito para alcançarmos o grau de excelência que queremos e podemos.

A inovação vai continuar movendo esse mercado intensamente, em todas essas frentes, principalmente no campo da logística.

E não, não é uma história sobre povoar o céu com drones ou as ruas com robôs conduzindo as entregas. Trata-se de explorar a tecnologia com mais eficiência para automatizar os centros de distribuição fulfillment e, ao mesmo tempo, permitir que pequenos vendedores e distribuidoras se unam para ajudar a garantir a ampliação do acesso ao comércio online a todos os rincões no Brasil - hoje, só o Sudeste responde por 60% das compras. Com isso, esperamos que a nossa indústria ganhe ainda mais relevância no fomento à força empreendedora e à democratização do acesso ao comércio em nosso país. Assim também estaremos mais próximos do melhor que podemos ser.

*VICE-PRESIDENTE EXECUTIVO E COFUNDADOR DO MERCADO LIVRE

Estadão
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