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'Não acho boa ideia unificação das moedas', diz ex-presidente do BC

A ideia, que já foi refutada pelo BC, foi ventilada durante visita do presidente Jair Bolsonaro ao país vizinho

7 jun 2019
17h40
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Ex-presidente do Banco Central (BC), um dos pais do Plano Real e atual sócio da Rio Bravo Investimentos, o economista Gustavo Franco criticou há pouco a ideia de se criar uma moeda única para Brasil e Argentina.

A ideia, que já foi refutada pelo Banco Central do Brasil, foi ventilada na última quinta-feira, 6, durante visita do presidente Jair Bolsonaro ao país vizinho.

Nesta sexta-feira, 7, o presidente Bolsonaro voltou a tocar no assunto ao responder crítica do presidente da Câmara dos Deputados Federais, Rodrigo Maia.

"Eu não acho que é uma boa ideia, não", disse o ex-presidente do BC. Ele chama a atenção para o caso europeu e para a quantidade de correspondências e harmonias que é preciso haver para uma moeda comum funcionar direito.

"Inclusive no caso europeu, um fabricante supranacional da moeda. Tudo muito complexo", disse Franco, que participou até há instantes do seminário "O Direito e a Revolução Digital no Sistema Financeiro" que a Faculdade de Direito da Fundação Getulio Vargas (FGV) realiza na capital paulista nesta sexta-feira, 7.

Franco diz não acreditar que Brasil e Argentina estejam no estágio de integração em que estavam os europeus quando unificaram as moedas.

"Sobretudo agora que estamos rediscutindo o Mercosul e querendo avançar na direção de liberalização do Brasil relativamente ao resto do mundo. E o Mercosul aparece como um entrave a esse movimento. Então, seguramente não é a hora de falar disso", avaliou o ex-presidente do BC.

Questionado se em algum momento mais à frente valeria discutir o assunto, Franco disse que há primeiro que se falar de harmonização macroeconômica como foi no caso da Europa e que se transcorreu por um longo período até que ficasse viável.

"As duas economias, Brasil e Argentina, estão em trajetórias bastante diferentes de macroeconomia e cada um com seus problemas. Lá o assunto inflacionário é terrível. Fizeram recentemente congelamentos e outras coisas. Estamos bem na frente deles nesse assunto e nós temos as nossas agendas de reformas. Então, seguramente, é um assunto para bem depois", disse Gustavo Franco.

Estadão
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