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Na expectativa por balanços, mercado faz projeções para ações de bancos

Analistas reforçaram a visão positiva sobre o desempenho financeiro dos bancos; mercado reduz percepção de alta para o Ibovespa

19 jan 2019
04h11
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A proximidade da temporada de balanços do quarto trimestre faz os analistas não apenas reforçarem a visão positiva sobre o desempenho financeiro dos bancos, mas também já começarem a fazer as suas apostas para o comportamento dos ativos na Bolsa de Valores. Há quem acredita no aumento do preço das ações e também os que acham que os valores já estão perto do teto, limitando o crescimento neste momento.

Alexandre Faturi, analista da Nova Futura Investimentos, diz que o aumento nos preços dos papéis dos bancos já reflete expectativas otimistas em relação aos balanços. "Estimamos que o crescimento do lucro bancário aliado à tendência decrescente na taxa de inadimplência deve assegurar bons resultados. Bradesco e Santander, por exemplo, devem apresentar os melhores resultados. A recente valorização nas ações, no entanto, deve limitar altas após a divulgação dos números", afirma.

O analista Ricardo Peretti, do Santander, mantém um viés "construtivo" para o desempenho do setor bancário diante dos resultados do quarto trimestre de 2018.

"Em linhas gerais, acreditamos que a redução de despesas de provisão, uma tendência vista ao longo de todo o último ano, deve permitir mais um bom balanço aos bancos públicos e privados. Projetamos crescimento de 14% ao ano do lucro líquido, em média, para os bancos. Como destaque positivo, acreditamos que o resultado do Bradesco será o mais bem recebido pelos investidores, o qual esperamos um crescimento de 19% ao ano para o lucro líquido ", afirma.

Fernando de Almeida Prado Bresciani, analista de investimentos da Mirae Asset, diz que a sua expectativa é de que os bancos divulguem bons números no último trimestre, alguns mantendo o Retorno sobre Patrimônio Líquido (ROE) do terceiro trimestre e outros até mesmo melhorando a rentabilidade.

"A bolsa está subindo e precificando um cenário positivo para o Brasil, onde é esperado que o discurso do presidente Jair Bolsonaro e a imagem do Brasil na conferência de Davos sejam positivos junto a mercado externo e que sejam divulgadas mais informações sobre a reforma da Previdência e que ela seja aprovada. Ocorrendo esse cenário, os ativos deverão ser revisados para cima e o setor bancário será um dos beneficiados", afirma.

Felipe Silveira, da Coinvalores, afirma que espera "números saudáveis", mas sem grandes saltos em relação aos últimos trimestres. "Consideramos que não é o resultado do quarto trimestre que está mexendo com os papéis", diz .

Para a próxima semana, algumas corretoras mudaram as suas carteiras de recomendação. A Guide trocou a Rumo ON por B3 ON. A Mirae manteve a Petrobras e acrescentou na lista BRF ON, Ambev ON, BB ON e Iochpe Maxion ON. Nesse caso específico, saiu Lojas Americanas ON, Vale ON, Usiminas PNA e B3 ON. Também haverá mudanças na carteira da Modalmais. Vale ON permanece e entra Gerdau PN, Ultrapar ON, BRF ON e Natura ON. Esses ativos chegam para compor a carteira no lugar de Lojas Renner ON, Copel PNB, Weg ON e Hypera ON.

Vale ON ficou na Nova Futura e a lista agora é composta também por Porto Seguro ON, BRF ON, Petrobras ON e Marcopolo PN. Já na Terra Investimentos saem CCR ON e Fleury ON e entram no lugar Marfrig ON e Vale ON.

Mercado reduz percepção de alta para o Ibovespa

A percepção dos investidores do mercado financeiro para o movimento altista da Bolsa na semana entre os dias 21 e 24 de janeiro arrefeceu, muito embora tais apostas sigam majoritárias. O Termômetro Broadcast Bolsa, que tem por objetivo captar o sentimento de operadores, analistas e gestores para o comportamento do Ibovespa na semana seguinte, mostra que 51,72% das 29 respostas esperam novos avanços do índice. Esse é o porcentual mais baixo em quatro levantamentos e fica bem atrás dos 73,08% do levantamento anterior. Por outro lado, cresceu o número dos que projetam estabilidade (27,59% ante 19,23%) e queda (20,69%, de 7,89%).

Na próxima semana, que termina mais cedo com o feriado pelo aniversário da cidade de São Paulo, as atenções dos investidores estarão voltadas para o Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), onde o presidente Jair Bolsonaro se apresenta à comunidade internacional. É lá também que se espera que o ministro da Economia, Paulo Guedes, reafirme a agenda liberal do novo governo e ainda anuncie alguns pontos da reforma da Previdência.

Por aqui, no plano político, faltando pouco tempo para a eleição das presidências da Câmara dos Deputados e do Senado, que ocorre no próximo dia 1º de fevereiro, as articulações e conversas de bastidores no Congresso ganham atenção. O atual presidente e candidato à reeleição, Rodrigo Maia (DEM-RJ), já conta com o apoio declarado de ao menos dez partidos.

Ainda no Brasil, a semana é fraca de divulgação de indicadores, tendo na agenda apenas o IPCA-15, na quarta-feira, apresentado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Já nos Estados Unidos, segue a temporada de balanços, agora com Ford, Intel e IBM. Na Europa, o UBS divulga seus números.

Estadão

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