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Mudança na relação com China tem alto potencial de perdas

País é o principal destino das exportações brasileiras, com vendas de US$ 47,2 bilhões só entre janeiro e setembro

4 nov 2018
06h11
atualizado às 10h14
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BRASÍLIA — No provável cavalo de pau que o futuro governo de Jair Bolsonaro deve dar nas relações comerciais internacionais do País, o risco de um estremecimento com a China é o que traz maior potencial de perdas para a economia brasileira. O país é o principal destino das exportações brasileiras, com vendas de US$ 47,2 bilhões só entre janeiro e setembro deste ano. E, embora importe praticamente só produtos básicos, o país asiático quer diversificar suas compras.

Na próxima semana, será realizada uma megafeira em Xangai cujo objetivo é aumentar as importações da China, num esforço de abertura comercial. A ministra conselheira para comércio da embaixada da China no Brasil, Xi Xiaoling, disse que o País tem muitos produtos industrializados de interesse dos chineses, como os carros flex e alimentos industrializados, como o "melhor chocolate do mundo". Calçados Melissa e sandálias Havaianas fazem grande sucesso entre os chineses. O país vai importar US$ 10 trilhões nos próximos cinco anos.

Trabalhadores em lavoura de soja em São Desidério, na Bahia; a China é a principal compradora da soja brasileira
Trabalhadores em lavoura de soja em São Desidério, na Bahia; a China é a principal compradora da soja brasileira
Foto: Roberto Samora / Reuters

Mas a parceria estratégica entre Brasil e China vai muito além disso. Do ponto de vista brasileiro, o principal ponto de interesse são os investimentos. Segundo boletim publicado pelo Ministério do Planejamento, a carteira de projetos no Brasil soma US$ 124,5 bilhões, dos quais US$ 54,1 bilhões já foram confirmados e US$ 70,4 bilhões são investimentos anunciados. Os dois países mantêm um fundo de financiamento em comum, que está prestes a aprovar seu primeiro projeto, no valor de US$ 4 bilhões.

Os colaboradores de Bolsonaro reconhecem que o Brasil não pode prescindir dos investimentos e do comércio com a China. E creem que será possível preservá-los, dentro da lógica do novo governo. Um teste ocorrerá esta semana, quando Bolsonaro deverá reunir-se com um integrante da diplomacia chinesa.

Brics. Brasil e China estão juntos, por exemplo, nos Brics, bloco que integram ao lado de Rússia, Índia e África do Sul. Neste ano, o Brasil deve assumir a presidência rotativa do bloco, e também do banco formado com recursos dos sócios. "Nós temos uma relação bem fundamentada do ponto de vista político e institucional com a China", diz a diretora do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), Anna Jaguaribe.

Enquanto a China acena com mais comércio e mais investimentos, os EUA vão, de certa forma, na direção contrária. No mês passado, o presidente dos EUA se queixou das dificuldades de comércio com o Brasil, o que gerou temores de novas restrições. Para Marcos Troyjo, professor em Columbia e um dos colaboradores de Bolsonaro, a fala de Trump pode ser entendida como um convite para melhorar as relações.

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Estadão
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