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Mesmo com guinada em NY, Ibovespa sustenta alta de 1%, aos 109,1 mil pontos

20 jan 2022 18h58
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Apoiado em boa parte desta quinta-feira por desempenho positivo das bolsas de Nova York - que no entanto perderam fôlego e viraram para o negativo na reta final -, pela primeira vez no ano o Ibovespa obtém a terceira alta consecutiva, elevando a referência da B3 ao maior nível de fechamento desde 20 de outubro, então aos 110,7 mil pontos. Na véspera do vencimento de opções sobre ações, o índice subiu 1,01%, a 109.101,99 pontos, entre mínima de 108.014,50 e máxima de 109.873,35 pontos, com giro a R$ 35,4 bilhões. Foi a segunda sessão com ganho na casa de 1% para o Ibovespa, embora mais acomodado perto do fechamento, com a guinada em Nova York. Ainda assim, acumula agora avanço de 2,03% na semana e de 4,08% no mês.

Durante a sessão, conseguiu superar a importante barreira dos 109,4 mil pontos, sem conseguir sustentá-la no fechamento devido à piora em Wall Street. De acordo com análise gráfica do Itaú BBA, tal limiar é como um "divisor de águas" que pode "definir rali para a bolsa neste início de ano". "Caso isso aconteça, o potencial de subida está em 114.500, 121.300 e 132.000 pontos", acrescenta o texto, no qual se ressalva o momento menos favorável para o mercado americano, em viés de baixa desde a ata "hawkish" do Federal Reserve, do último dia 5. "Do lado da baixa, o índice Bovespa encontra suportes em 104.900, 103.300 e 100.000 pontos", destaca o relatório, dos analistas Fábio Perina e Lucas Piza.

"O mercado acompanhava a melhora do exterior, da Europa a Nova York. À tarde, a fala do Campos Neto (presidente do BC) sobre a curva de juros, que mostraria que o ciclo de alta está chegando ao fim, foi o suficiente para o mercado começar a entender que esse aperto monetário que o Banco Central vem fazendo pode estar efetivamente chegando ao fim", diz Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos.

"Assim, houve rotação de setores na sessão, com saída de materiais básicos em direção a setores mais atrasados e dependentes da economia doméstica, como os de consumo, imobiliário e construção civil", acrescenta, chamando atenção para as "small caps" performando acima do Ibovespa. "Em geral, os múltiplos mostram espaço para continuidade da recuperação (da Bolsa)."

No cenário macro, embora o "lado fiscal" permaneça "sensível", com o mercado ainda atento a "possíveis ruídos", os descontos acumulados na B3 e a recuperação até certo momento vista também em Nova York são positivos para a retomada da demanda por ações, com os investidores tendo recebido bem, desde a quarta-feira, a reiteração de que o líder nas pesquisas eleitorais para a presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, pretende ter como vice Geraldo Alckmin, em "aceno mais próximo do centro", observa em nota a Nova Futura Investimentos.

"Tendemos a comparar com as últimas eleições, quando o debate começou no centro e aos poucos foi se polarizando. Agora temos uma situação muito polarizada com alguns candidatos sinalizando que podem caminhar para o centro", disse nesta quinta, durante participação na Conferência Anual Latino-Americana do Santander, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em que comentou que a "polarização da eleição já afeta um pouco a volatilidade do câmbio". Nesta quinta, o dólar à vista oscilou abaixo de R$ 5,40, a R$ 5,3795 na mínima, mas fechou o dia a R$ 5,4165, ainda em queda, de 0,90%.

No melhor momento da tarde, durante a fala de Campos Neto, o Ibovespa buscou reaproximação dos 110 mil, aos 109.873,35 pontos, em alta de 1,72%, no maior nível intradia desde 21 de outubro, então aos 110.767,14 pontos. Comentários do presidente do BC sobre inflação e fiscal, durante o evento do Santander, contribuíam para colocar os juros nas mínimas do dia, pouco antes de a referência da B3 buscar novo topo para a sessão.

Na ponta do Ibovespa, destaque para mais um dia de recuperação para a Unit de Banco Inter, em alta de 13,16%, à frente de CVC (+10,47%) e de Petz (+9,71%) na sessão. No lado oposto, Carrefour Brasil cedeu 2,59%, Suzano, 2,49%, e Gerdau Metalúrgica, 1,73%. Entre as blue chips, Petrobras ON e PN fecharam respectivamente em alta de 0,64% e 0,73%, mesmo com oscilação para baixo no petróleo, em dia que se mostrou negativo para Vale (ON -1,70%) e para a maioria das ações de grandes bancos, à exceção de BB ON (+0,61%).

Estadão
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