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Mercados internacionais fecham em queda de olho em inflação dos Estados Unidos

Resultado, que veio abaixo das estimativas, dividiu opiniões, com parte dos investidores temendo uma desaceleração na recuperação da economia dos EUA

14 set 2021 18h18
| atualizado às 18h19
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Os principais índices do exterior fecharam sem sinal único nesta terça-feira, 14, à espera do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) de agosto dos Estados Unidos, que veio somente quando as Bolsas da Ásia já estavam fechadas.

Extremamente aguardado por investidores, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) teve avanço de 0,3% em agosto ante julho, abaixo das estimativas de 0,4% do Projeções Broadcast. O núcleo do CPI, que exclui os voláteis preços de alimentos e energia, avançou 0,1% na comparação mensal de julho, também abaixo da mediana das projeções, de acréscimo de 0,3%. A desaceleração dos preços nos EUA se deu em meio aos impactos da variante Delta do coronavírus sobre os serviços e a atenuação dos efeitos da reabertura econômica.

O resultado, no entanto, dividiu opiniões. "Uma desaceleração da inflação pode ser o que é necessário para justificar o atraso da redução nos estímulos pelo Fed [Federal Reserve, o banco central americano] e sugere que eles têm mais alguns meses para ver como a recuperação do mercado de trabalho se desenrola", diz Edward Moya, analista de mercado financeiro da OANDA em Nova York. Para outros analistas, o dado indica que o Fed anunciará o início da redução em suas compras de bônus ainda neste ano.

No entanto, logo após a divulgação do dado, o clima azedou no mercado de Nova York. Apesar do resultado indicar que a inflação dos EUA pode ser de fato temporária, como vinha sugerindo o Fed, alguns investidores passaram a temer uma desaceleração da recuperação da economia americana.

"Há uma piora de sentimento no exterior, com a percepção de que a inflação abaixo do esperado nos Estados Unidos possa estar sinalizando estagnação da economia, no momento em que o Fed ainda busca cumprir parte de seu mandato, relacionado ao pleno emprego", Nicholas Farto, assessor de renda variável na Renova Investe.

Sobre política monetária, o Banco Central Europeu (BCE) deu sinais de não ter pressa de reduzir estímulos, com a inflação na zona do euro mostrando tendência mais fraca. Já no Reino Unido, o número de empregados superou o nível pré-pandemia da covid-19, embora com alguns setores ainda prejudicados.

Bolsa de Nova York

No fechamento, o Dow Jones caiu 0,84%, o S&P 500 recuou 0,57% e o Nasdaq teve queda de 0,45%. Além da inflação, o evento da Apple chamou atenção de investidores: a empresa anunciou hoje os novos iPhone 13, um novo Apple Watch e AirPods. Os produtos, porém, parecem não ter impressionado o público, uma vez que a ação da companhia - que têm grande peso nos índices acionários de Nova York - recuou 0,96%.

Bolsas da Europa

Afetadas pelo clima azedo de Nova York, as Bolsas europeias terminaram o dia sem sinal único. O índice Stoxx 600 fechou em baixa de 0,01%, enquanto Londres cedeu 0,49%, Frankfurt recuou 0,14% e Paris caiu 0,36%. Os índices de Milão, Madri e Lisboa tiveram ganhos de 0,39%, 0,41% e 0,22%.

Bolsas da Ásia

O mercado asiático não acompanhou a divulgação do dado, mas somente a espera já pesou nos índices. A Bolsa de Hong Kong caiu 1,21%, enquanto os índices chineses de Xangai e Shenzhen recuaram 1,42% e 0,48% cada, e Taiwan cedeu 0,07%. Já a Bolsa de Tóquio subiu 0,73% e Seul avançou 0,67%.

Na Oceania, a bolsa australiana ficou levemente no azul, em alta de 0,16%, graças a ações de petrolíferas e de grandes bancos domésticos.

Petróleo

Os contratos futuros do petróleo fecharam em leve alta nesta terça, após uma sessão volátil. Apesar de terem começado o dia em alta e ganhado forças com a divulgação do relatório da Agência Internacional de Energia (AIE) e da inflação dos EUA, que veio abaixo do esperado, os ativos perderam fôlego e operaram no negativo em parte da sessão. Hoje, a agência reduziu sua previsão para a alta na oferta mundial fora da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) em 2021 em 150 mil barris por dia (bps), a 450 mil bpd.

Em Nova York, o WTI para outubro teve avanço marginal de 0,01% , a US$ 70,46 o barril, enquanto em Londres, o Brent fechou em alta de 0,12%, a US$ 73,60 o barril. Ainda como pano de fundo, ficaram os impactos na oferta relacionados ao furacão Ida e ao avanço do Nicholas sobre solo americano. Os eventos podem paralisar a produção do óleo, algo positivo em um momento no qual a oferta ainda é maior que a demanda. /MAIARA SANTIAGO, ILANA CARDIAL, GABRIEL BUENO DA COSTA E SÉRGIO CALDAS

Estadão
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