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Maia diz que destaque sobre professores está sendo negociado

O presidente da Câmara afirmou que está sendo construído 'algum entendimento' sobre o destaque à reforma da Previdência que busca reduzir de 57 para 55 anos a idade de aposentadoria de professoras na regra de transição

11 jul 2019
17h38
atualizado às 18h08
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BRASÍLIA - O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou na tarde desta quinta-feira, 11, à TV Bandeirantes que está sendo construído entre os parlamentares "algum entendimento" sobre um destaque à reforma da Previdência apresentado pelo PDT.

O destaque n.º 43, encaminhado pelo partido, busca reduzir de 57 para 55 anos a idade de aposentadoria de professoras na regra de transição, cujo pedágio é de 100%.

De acordo com Maia, o gasto gerado pelo destaque será pequeno em relação ao de uma emenda, derrubada na quarta-feira, que previa despesas muito maiores na aposentadoria de professores.

Maia afirmou ainda, ao avaliar o texto da reforma de modo geral, que ele "talvez seja um bom acordo", porque "perdemos pouco da economia de R$ 1 trilhão".

Ao mesmo tempo, Maia disse não ver espaço para alterações em regras de transição hoje, por meio dos destaques. "Não tem espaço para a gente mexer nisso hoje, acho difícil, até porque a reforma foi bem organizada primeiro pelo ministro (da Economia) Paulo Guedes e agora pelo deputado federal Samuel Moreira (PSDB-SP) na comissão", afirmou Maia. "Se a gente mexer muito isso, a gente vai dar uma sinalização que está flexibilizando demais. E acho que já não dá mais para que mexamos nesta economia, que precisa ficar na ordem de R$ 900 bilhões, R$ 950 bilhões pelo menos."

Bolsonaro

Em mais um recado direto ao presidente da República, o presidente da Câmara afirmou que deseja um "bom diálogo" com Jair Bolsonaro. "Queremos que o presidente entenda que o legislativo tem um papel relevante", afirmou, em entrevista à emissora.

De acordo com Maia, ataques feitos contra a Câmara, o Senado e o Supremo Tribunal Federal (STF), como os ocorridos no primeiro semestre do ano, geram instabilidade e não contribuem para a discussão de matérias importantes para o País, como a reforma da Previdência. "Direito de criticar, de vetar, é direito do presidente", lembrou Maia. "O parlamento tem também a prerrogativa de sancionar ou derrubar o veto", acrescentou. No entanto, segundo ele, os ataques a estas instituições são prejudiciais.

"Quem organiza a relação com o Legislativo é o poder executivo. Nós temos aqui no Legislativo a obrigação de construir consensos", comentou Maia. Ele lembrou ainda que, além da Câmara, o Supremo tem sido atacado. "Isso é ruim", disse. "Os radicais nas redes sociais vão continuar a ser radicais, mas há outro ambiente para ampliar o debate", defendeu.

Maia também foi questionado sobre sua relação com Bolsonaro. "Fui eleito presidente da Câmara, tive outras vitórias importantes, e ele nunca tinha me ligado", pontuou. "Acho que o presidente não gosta de mim. Mas ontem (quarta-feira) ele me ligou. Então, agradeço ao presidente. Acho que é importante a ligação, o agradecimento, para mim, em nome dos 379 deputados que votaram pela reforma."

Questionado sobre se Bolsonaro não ia com sua cara, Maia respondeu: "Ele vai com minha cara, sim. Ele é carioca, como eu. Sempre estivemos uma boa relação aqui no plenário, (ele) sempre foi uma pessoa muito alegre, contador piadas". Maia disse ainda que ele e Bolsonaro possuem posições diferentes em alguns temas, o que faz parte da democracia. "Naquilo que é mais importante para o Brasil, que é a agenda de reformas, estamos no mesmo lado. É isso que interessa", acrescentou.

Estado mais eficiente

O presidente da Câmara defendeu ainda que o Estado seja mais eficiente, para melhorar a vida do brasileiro comum. Além disso, afirmou que o parlamento está pronto para "enfrentar todas as agendas para melhorar o Estado brasileiro".

Ao tratar da aprovação do texto-base da reforma na noite de quarta, em votação de primeiro turno, Maia afirmou que o resultado surpreendeu. "Foi uma votação histórica. Demos ontem (quarta-feira) uma demonstração de responsabilidade e prioridade na pauta", afirmou.

Prazo

Maia afirmou que a intenção é votar até a madrugada desta quinta-feira os destaques ao texto-base da reforma da Previdência, aprovado em primeiro turno no plenário da Casa. Depois, a votação em segundo turno começaria nesta sexta-feira, para encerramento durante a noite. "Estou trabalhando para concluir os trabalhos da reforma", disse Maia.

Questionado em entrevista à TV Bandeirantes sobre quais reformas viriam após a previdenciária, Maia afirmou que a tributária "é muito importante". "Espero que o governo encaminhe no próximo semestre uma forte reforma administrativa", acrescentou. "E precisamos discutir o Bolsa Família, projetos sociais e alocação de recursos. Há muitos recursos que às vezes estão mal alocados", acrescentou o presidente da Câmara.

Ao tratar da necessidade das reformas, Maia pontuou que hoje "estão sobrando poucos recursos para que possamos investir na qualidade de vida da população". "Temos que organizar melhor o gasto do governo na área social", disse.

O presidente da Câmara também afirmou, ao falar sobre a aprovação da reforma da Previdência em primeiro turno, que não existem "vitórias absolutas" numa democracia. "Não existe vitória de apenas um deputado", afirmou Maia. "Este talvez seja o parlamento mais reformador desde a redemocratização. A aprovação da previdência é uma vitória do Brasil. A Câmara é representação do País", acrescentou.

Segundo ele, desde a redemocratização, na década de 1980, não se vê uma votação de tema tão polêmico no Congresso, como a reforma da Previdência. "Com resultado contundente", acrescentou, em referência à aprovação por 379 votos.

Estadão
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