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Magazine Luiza, Casas Bahia, B2W e Americanas perdem R$ 5 bi com chegada da Amazon Prime

Papéis das varejistas despencaram nesta terça-feira com lançamento de serviço de fidelização de clientes da empresa americana

10 set 2019
16h18
atualizado em 11/9/2019 às 07h10
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A chegada ao Brasil do serviço Amazon Prime, da gigante americana de e-commerce, agitou o mercado financeiro brasileiro nesta terça-feira, 10, castigando as ações das varejistas brasileiras, que perderam em um só dia mais de R$ 5 bilhões em valor de mercado na B3, a Bolsa paulista. O "efeito Amazon" levou o mercado brasileiro a uma queda de 0,14% no dia, após quatro pregões consecutivos de alta.

Embora a Amazon esteja presente no Brasil desde 2012, muita gente acredita que o lançamento do Amazon Prime - um serviço que inclui, por R$ 9,90, frete grátis em compras e acesso a serviços de streaming de vídeo, leitura e de música, entre outras vantagens - como a aposta definitiva do site no Brasil.

A combinação de entrega grátis e streaming representa uma diferenciação clara para o consumidor. Hoje, o serviço Prime da Americanas.com, por exemplo, custa R$ 79,90 por ano e garante apenas a entrega sem custo.

Como resultado dessa vantagem percebida em relação às rivais, as ações das principais rivais da Amazon foram fortemente castigadas pelos investidores. Nesta terça, o Magazine Luiza puxou as baixas, com perdas de 4,97% no pregão, seguida por B2W (dona de Submarino e Americanas.com, com queda de 4,83%), Via Varejo (3,28%) e Lojas Americanas (3,2%).

O banco Goldman Sachs, em relatório, disse acreditar que as concorrentes brasileiras precisarão demonstrar flexibilidade e investir para defender sua posição no mercado frente à gigante americana.

"Ainda que a companhia não revele dados de receita no País, nós esperamos que o site esteja entre os dez principais do mercado de e-commerce do Brasil", escreveram os analistas Irma Sgarz e Thiago Bortolucci.

O medo tem razão de ser, de acordo com Rodrigo Barros, analista da Necton Investimentos. O receio é que, com as vantagens oferecidas aos clientes e preços competitivos, a empresa use seu poder econômico para ganhar mercado e "quebrar" as concorrentes. "A Amazon está entrando em um caminho de fidelização de clientes e de streaming. É o primeiro passo para crescer."

Ceticismo

Mas nem todo mundo pensa que o caminho da Amazon será tão fácil. Analistas do Bradesco BBI acreditam que a Amazon terá dificuldades para ganhar espaço no e-commerce do Brasil.

"Setenta por cento do mercado estão nas mãos de quatro participantes. Isso torna a Amazon uma novata num mercado já altamente consolidado", escreveram os analistas Richard Cathcart e Helena Villares, em relatório.

Luis Sales, analista da Guide Investimentos, disse que o lançamento do Amazon Prime no Brasil naturalmente amedronta as concorrentes no curto prazo, mas achou o movimento de venda dos papéis das varejistas locais exagerado.

"O mercado sempre tem medo da Amazon, que afeta as concorrentes quando ela mostra que está entrando no Brasil. Há um receio do que a empresa poderá trazer ao País em termos de serviços. Mas confesso que acho um movimento um pouco exagerado", disse Sales.

Estadão
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