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Líderes indicam ser baixa a possibilidade de a Câmara votar Previdência em 2018

Calendário apertado, complexidade da matéria e acúmulo de outras propostas na pauta devem impedir avanço do tema ainda nesta legislatura

30 out 2018
14h38
atualizado às 16h26
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BRASÍLIA - Líderes das bancadas partidárias da Câmara avaliam como baixa a possibilidade da Casa aprovar qualquer mudança sobre Previdência ainda neste ano. O calendário apertado, a complexidade da matéria e o acúmulo de outras propostas essenciais na pauta devem impedir o avanço do tema ainda nesta legislatura, dizem os parlamentares.

O líder do governo na Câmara, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), disse que o calendário é muito apertado e a matéria é complexa. "Vai exigir um esforço conjunto muito grande para isso poder acontecer", disse.

Ontem, o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), afirmou que vai trabalhar pela aprovação de pelo menos parte da reforma da Previdência enviada pelo presidente Michel Temer, embora ainda enfrente resistências dentro da própria equipe. A declaração do presidente eleito vai na contramão do que tem dito o seu futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que descarta seguir com a reforma previdenciária proposta por Temer.

O líder do PPS, deputado reeleito Alex Manente (SP), diz que não há "condições de se votar a Reforma da Previdência na Câmara ainda neste ano". Para ele, não há possibilidade nem de se passar um texto reduzido ou com alterações sobre a proposta. "Se ficou empatado até agora não vai passar e ser for um texto muito reduzido não resolve o problema da Previdência", afirmou o líder do partido que elegeu oito deputados federais e dois senadores neste ano. O líder do PT na Casa, Paulo Pimenta (RS), também não acha possível passar o projeto neste ano.

O aliado de Bolsonaro (PSL) e líder da bancada da bala na Câmara, o deputado Alberto Fraga (DEM-DF) também não acredita que a reforma seja aprovada neste ano. "Duvido muito que com o texto atual a gente avance em alguma negociação. Não posso falar pela casa, estou falando pelo clima que eu sinto dos colegas. Acho muito difícil", disse Fraga.

Questionado se ele acredita que há tempo hábil para elaboração e discussão de um novo texto sobre a Previdência, ele disse achar isso uma tarefa impossível para a atual legislatura. "Falar em um novo texto é impossível. E se houver, é claro que essa responsabilidade tem de ficar com o novo Congresso, com os parlamentares que foram eleitos", afirmou Fraga.

"Os deputados que não se reelegeram podem de repente receber a pecha de ser uma retaliação e isso é muito ruim e a vida pública continua, por isso, que eu acho mais prudente a gente preparar um novo texto mais adequado e duradouro e pensarmos nisso no próximo ano", afirmou. Para o democrata, o novo texto deve tratar de uma reforma de forma mais permanente para que a Câmara não tenha de voltar a rediscutir a questão nas próximas legislaturas. "Temos de fazer uma reforma duradoura que vai durar por 20 ou 30 anos e não fazer uma meia-sola", disse.

Por outro lado, o líder da bancada da bala acredita que ainda haja espaço para a atual legislatura aprovar a reforma tributária e as alterações no estatuto do desarmamento.

O deputado não concorreu à reeleição para Câmara e foi derrotado nas urnas na disputa para o governo do Distrito Federal. Especula-se que ele deva assumir alguma função no governo de Bolsonaro, o que ele nega que esteja definido. "Estou disposto a ajudar, mas não há nenhuma definição", disse sobre seu papel no governo

Estadão
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