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Juros sobem com avanço do dólar e incertezas com EUA-China, Argentina e Brexit

2 set 2019
18h41
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O que era uma alta moderada nos juros futuros pela manhã ganhou força à tarde e levou as taxas a renovarem máximas na última hora da sessão regular Dest segunda-feira, mas, assim como na primeira etapa, os movimentos continuaram ocorrendo num ambiente de liquidez muito fraca - de cerca de um terço da média dos últimos 30 dias nos principais contratos. As taxas acompanharam o aumento da pressão no câmbio, com o dólar retornando à casa dos R$ 4,18. O volume fraco se explica pela ausência dos negócios em Wall Street, em função do feriado norte-americano do Dia do Trabalho. Ainda assim, as incertezas externas continuaram influenciando os ativos por aqui, o que, juntamente à agenda sem destaques, acabaram reforçando a inclinação da curva a termo.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 fechou a etapa regular a 5,58%, na máxima, de 5,529% no ajuste de sexta-feira, e a do DI para janeiro de 2023 também terminou na máxima, de 6,66%, ante 6,581% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2025 encerrou com taxa de 7,18%, de 7,111%. O dólar à vista fechou em R$ 4,1828, em alta de 0,97%, alinhado ao movimento no exterior, onde a divisa subiu ante emergentes e moedas principais.

A cautela que vem do ambiente externo é amparada nas questões da Argentina, após o governo anunciar no domingo medidas de controle de capital, e na falta de avanço no diálogo entre China e Estados Unidos. Há relatos de que os governos de ambos os países enfrentam dificuldades de encontrar um calendário para o planejado encontro bilateral neste mês para tratar das divergências no comércio. O problema ocorre após Washington rejeitar o pedido de Pequim de adiar tarifas que entrariam em vigor neste fim de semana. No Reino Unido, a oposição pede antecipação das eleições, em meio à possibilidade de um Brexit sem acordo até 31 de outubro, o que foi rejeitado pelo primeiro-ministro Boris Johnson. Por fim, há ainda o agravamento das tensões políticas em Hong Kong.

Para Vitor Carvalho, sócio-gestor da LAIC-HFM, o desempenho dos mercados foi distorcido pelo baixo volume, mas não se pode atribuir só a isso o avanço das taxas. "A liquidez fraca atrapalha, mas não muda fundamento", disse. Segundo ele, o alívio dos prêmios no fim da semana passada esteve relacionado muito mais a ajuste de carteiras de fundos, típicos de fim de mês, do que a uma melhora da percepção. "O fluxo firme de estrangeiros está ausente há tempos. Quando tem gringo, é saindo. Então, se sabia que a melhora não se sustentaria", avaliou.

Estadão
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