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Juros fecham perto da estabilidade, após quatro sessões em baixa

24 mai 2019
18h31
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Após registrarem queda no fechamento das últimas quatro sessões, os juros futuros hoje terminaram estáveis ante o ajuste de ontem, mas com perda de cerca de 35 pontos-base no caso dos vencimentos longos em relação aos níveis da última sexta-feira. Desse modo, a perda de fôlego na montagem de posições vendidas no fim do dia é vista como natural e não altera a percepção de que a tendência para as taxas futuras continua sendo de baixa.

Num ambiente de maior confiança na aprovação da reforma da Previdência depois do ritmo acelerado de votação das Medidas Provisórias (MP) no Congresso nesta semana, a recomposição de prêmios esbarra nas evidências de fraqueza da atividade e nos sinais de descompressão da inflação, reforçados pelo IPCA-15 de maio. Além disso, há contribuição do alívio no câmbio, com o dólar hoje mostrando recuo generalizado ante as demais moedas.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 fechou estável em 6,790%, e, do mesmo modo, a do DI para janeiro de 2025 fechou no mesmo patamar do ajuste anterior, a 8,57%. A taxa do DI para janeiro de 2023 passou de 7,972% para 7,95%.

"Não há como ir para cima. O DI para janeiro de 2021 é um dos símbolos mais claros da falta de prêmio na curva. A expectativa de aperto na Selic é zero", disse o economista-chefe da Infinity Asset, Jason Vieira. Segundo ele, o IPCA-15 de maio (0,35%), embora não tenha provocado grande reação da ponta curta, alimenta o debate sobre os cortes da Selic. Em abril, o índice havia subido 0,72%. O número de maio veio abaixo da mediana das estimativas (0,41%), assim como o acumulado em 12 meses, que subiu 4,93%, ante mediana das previsões de 5,00%.

A agenda trouxe ainda o saldo do Caged de abril, com geração 129.601 vagas, bem acima da mediana das expectativas coletadas pelo Projeções Broadcast, de criação de 78 mil postos. Em março, o saldo era de fechamento líquido de 43.196 postos. Apesar da melhora de um mês para o outro, o resultado está longe de dar esperança numa recuperação mais rápida da economia, mesmo porque os salários tiveram queda real de 1,32% ante abril do ano passado.

Nos contratos longos, a perspectiva de manutenção de juros em patamares baixos nas principais economias se soma ao alívio no risco político para explicar a forte redução dos prêmios. Segundo Vieira, o mercado não só elevou sua aposta na aprovação da reforma da Previdência, como agora vê chances menores de desidratação da potência fiscal. A deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), líder do governo no Congresso, afirmou que o texto do relator na comissão especial da Câmara, Samuel Moreira (PSDB-SP), pode prever impacto fiscal de até R$ 1,4 trilhão em 10 anos.

Estadão
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