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Juros diminuem alta ao longo da tarde, em reação a Campos Neto

23 jan 2020
19h16
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Os juros futuros desaceleraram a alta na etapa da tarde desta quinta-feira, 23, influenciados por entrevista do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, lida pelo mercado como ligeiramente "dovish". O dirigente disse estar tranquilo com as projeções de inflação e que o choque de carnes vai se "dissipar mais rápido". Isso tudo depois de o IPCA-15 desacelerar para 0,71%, mas ter núcleos que mostraram alguma resistência dos preços.

Campos Neto disse ao Valor que a inflação de 2019 não influenciou a tendência de preços. "A gente consegue ver o preço de carne caindo bastante e nós seguimos tranquilos com as nossas projeções, como tem sido indicado nos nossos diversos relatórios", afirmou, em referência ao choque de proteínas no fim de 2019.

"A entrevista do Campos Neto deu um viés ligeiramente 'dovish' ao mercado nesta tarde", comentou o economista-chefe da Guide Investimentos, João Mauricio Rosal. "O mercado olhou muito o núcleo de serviços mais cedo, que veio um pouco azedo, mas ele pode ser contaminado pelo preço da alimentação fora de casa."

A média dos núcleos e os serviços subjacentes aceleraram no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) de janeiro ante dezembro, mostram os cálculos do Haitong Banco de Investimento. Segundo o economista-chefe Flávio Serrano, a variação de 0,45% da média dos núcleos é a maior desde fevereiro de 2017, quando subiu 0,52%. No caso dos serviços subjacentes, a taxa é a mais elevada desde fevereiro de 2016 (0,86%).

No caso dos serviços subjacentes, o avanço foi de 0,49% para 0,78%, superando também o teto das estimativas do levantamento do Projeções Broadcast, cujo intervalo ia de 0,30% a 0,69%. "Foi por causa de alimentação fora do domicílio (0,79% para 0,99%)", afirmou Serrano. Nos cálculos dele, a precificação de corte da Selic ficou entre 65% e 70%. Ontem, havia superado os 70%.

Na entrevista, Campos Neto reforçou que o Banco Central vai analisar todos os dados. Mas acrescentou que é "superimportante analisar que há alguns elementos inflacionários que obviamente acabam não se incorporando nos núcleos, ou seja, eles são fatores passageiros". O mercado espera ainda as falas do presidente do BC em evento da XP, amanhã de manhã.

Desta forma, a taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 subiu da mínima histórica de 4,340% do ajuste de ontem para 4,365% hoje na regular e 4,370% na estendida. No começo da tarde, antes das falas de Campos Neto, a taxa estava em 4,410%. O janeiro 2023 subiu de 5,540% para 5,570% (regular e estendida). O janeiro 2025 foi de 6,300% para 6,320% (regular e estendida). E o janeiro 2027 passou de 6,700% para 6,710% (regular) e 6,720% (estendida).

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Estadão
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