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Juros caem com otimismo sobre cenário político e aposta de corte da Selic

28 mai 2019
18h43
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Os juros futuros aprofundaram o movimento de baixa em meio ao aumento do otimismo com o cenário político, aceleração da queda dos rendimentos dos Treasuries e do recuo do dólar. Com seis fechamentos em queda em sete sessões, as taxas renovaram nesta terça-feira, 28, mínimas históricas de fechamento na ponta longa - nas curtas, isso já vinha ocorrendo nos últimos dias. O movimento refletiu ainda o exterior, onde o desenho da curva dos Treasuries sinaliza aumento da aposta numa desaceleração mais profunda da economia norte-americana e da chance de corte de juros pelo Federal Reserve. Os contratos curtos também foram destaque. A maioria das taxas dos vencimentos até janeiro de 2021 fechou abaixo dos 6,40% do CDI e já indica apostas mais firmes de queda da Selic na curva doméstica.

Numa sessão de forte volume, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 fechou em 6,610%, de 6,751% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2023 caiu de 7,912% para 7,73%. A taxa do DI para janeiro de 2025 encerrou em 8,36%, de 8,522% no ajuste anterior. A taxa do DI para janeiro de 2027 encerrou na mínima de 8,72%, ante 8,861%.

O dia começou com o anúncio de um pacto entre os Três Poderes em prol da volta do crescimento, o que já agradou ao mercado, e a queima de prêmios foi ganhando força ao longo da sessão, com a sinalização do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, de que o relatório da reforma da Previdência pode ser apresentado antes do dia 15. "Vamos pedir ao relator da reforma da Previdência que antecipe o relatório", afirmou Maia, segundo o qual, "a princípio", o texto irá a plenário em julho.

Além disso, na discussão da MP 870, que deve ser votada hoje pelo plenário do Senado, houve reação positiva aos sinais de que os senadores contrários à volta do Coaf para o Ministério da Economia devem rever sua posição e se alinhar ao que defende o presidente Jair Bolsonaro. Isso evitaria que a MP, que expira no dia 3, tivesse de voltar para a Câmara.

A melhora na perspectiva de aprovação da reforma, de certa forma, deixou o mercado confortável para apostar em cortes da Selic ainda este ano, uma vez que o câmbio está mais comportado. O dólar já mais perto dos R$ 4 do que dos R$ 4,10 deixa o investidor mais seguro para aplicar em prefixado, dado o menor risco inflacionário.

A precificação de queda da taxa básica já é visível na curva a termo, a partir do Copom de julho. Segundo cálculo de um gestor, a curva precifica em torno de 20 pontos-base de queda distribuídos ao longo dos encontros de política monetária do segundo semestre. No fim do ano, a precificação de manutenção dos 6,50% é amplamente majoritária, com a preservação também de alguma chance de aperto.

Estadão
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