Esta é a área favorita dos empreendedores brasileiros. De acordo com a 11ª edição da Pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), de 2010, 25% dos empresários escolheram o setor porque enxergam nele uma grande chance de sucesso - e não apenas necessidade. Essa pesquisa é feita com empresas do G20 (o grupo dos 20 países mais ricos do mundo) e dos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), e é divulgada no Brasil pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). Entre os empresários que abriram um negócio por necessidade, 26% escolheram também o comércio varejista, de acordo com o levantamento. Esse dado demonstra uma tendência de busca por um setor que os empreendedores enxergam como aquecido e com chances de sobrevivência.
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Outro setor que ganha com o aumento da renda do brasileiro é o da saúde. “Com a falta de estrutura na saúde pública, há uma maior procura por serviços particulares”, afirma André Ferreira, da Ernst&Young Terco. Entre as atividades que entram nessa área estão clínicas e laboratórios, que têm seu crescimento puxado por uma maior procura pelos planos de saúde particulares. O ramo farmacêutico também deve atrair investimentos. “Mesmo que a economia se desaqueça, as pessoas ainda precisarão comprar remédios caso fiquem doentes. Então, esse é um setor que sempre terá potencial para crescimento no mercado”, diz o professor Fábio Gallo, da FGV-Eaesp (Fundação Getúlio Vargas - Escola de Administração de Empresas de São Paulo).
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A busca por bons serviços de educação também aumentou com a melhoria da renda e do emprego do brasileiro. Com isso, surgem oportunidades para novos negócios nesta área. André Ferreira, da Ernst&Young Terco, cita cursos de línguas, cursos profissionalizantes, supletivos, técnicos e superiores como aqueles que têm potencial para crescer nos próximos anos e que podem ser de pequeno ou médio porte. “Há bons negócios nas áreas de educação ligadas ao Brasil que temos a construir”, diz o professor Fábio Gallo, da FGV-Eaesp. Ele coloca nessa lista cursos voltados para tecnologia e para a gestão de novos negócios, já que essas áreas vão precisar de mão de obra qualificada nos próximos anos.
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Apesar de ser uma área com mais espaço para empresas de grande porte, as PMEs também podem abocanhar uma fatia dos negócios em infraestrutura, tão agitada no Brasil atualmente diante da Copa do Mundo, da Olimpíada, da exploração da camada do pré-sal e de grandes obras erguidas no interior do Brasil. André Ferreira, da Ernst&Young Terco, explica que há muito espaço para as empresas de menor porte, principalmente nas soluções de engenharia e inovação, por meio de parcerias com as grandes companhias. “As grandes empresas precisam contratar fornecedores para uma série de projetos”, diz. De carona nos projetos de infraestrutura, os serviços voltados aos funcionários que trabalham em grandes projetos, como seleção, transporte e fornecimento de alimentação, tendem a ganhar espaço. “Os funcionários envolvidos nesses grandes projetos vão precisar de diversos produtos e serviços, desde moradia até uma padaria, e essas necessidades podem ser atendidas pelos pequenos e médios negócios”, diz Ferreira.
Com a realização da Copa do Mundo e da Olimpíada no Brasil nos próximos anos, uma série de serviços deve ganhar força, de acordo com André Ferreira, da Ernst&Young Terco. Ele cita os serviços de transporte voltados ao turismo como uma área com potencial de crescimento. Além disso, frotas de táxi com motoristas fluentes em inglês também terão clientela garantida e boas chances de crescimento, segundo Ferreira - nesse caso, existe ainda outra vantagem importante: é um serviço que poderá sobreviver mesmo depois que os eventos chegarem ao fim.
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“Não importa se a economia cresce ou como vai o nível de emprego: todas as pessoas precisam se alimentar”, diz o professor da FGV-Eaesp Fábio Gallo. Sendo assim, para ele, em qualquer época o setor de alimentação é uma área em que é possível investir e ter sucesso - e não será diferente nos próximos anos. O setor de alimentação já vem sendo, na verdade, um dos preferidos do empreendedor brasileiro, de acordo com a pesquisa mundial GEM 2010. Naquele ano, 15% dos empresários que buscaram um negócio porque viram nele uma chance de sucesso optaram pelo setor de alimentação ou hospedagem.
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Empresas que criam soluções para o segmento empresarial, especialmente na área de tecnologia, devem ser cada vez mais demandadas nos próximos anos. Entre essas soluções estão, por exemplo, a criação de sistemas de autoatendimento ou de etiquetas inteligentes, que trazem, além de preço, dados sobre a validade dos produtos. “É um tipo de negócio que tem foco no cliente”, resume o professor da FGV-Eaesp Fábio Gallo. Ele lembra que essas soluções são importantes porque uma empresa inovadora tem mais chances de se destacar entre os concorrentes. “A inovação é uma vantagem muito importante em um negócio”, afirma.
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A indústria da transformação é aquela que transforma a matéria-prima em um produto final. É o caso de uma refinaria de petróleo, por exemplo, que transforma o petróleo em derivados como o óleo diesel. Esse foi um dos setores que mais cresceram entre as pequenas e médias empresas entre 2010 e 2011, segundo pesquisa da consultoria Deloitte, e deve continuar em expansão, na avaliação de Christiane Marie Menezes Rodrigues, sua gerente sênior da área de consultoria.
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Com o mercado da construção civil aquecido e o financiamento imobiliário ficando mais acessível, o setor imobiliário tende a ficar cada vez mais atraente para os empreendedores brasileiros. Nesse segmento encaixam-se as imobiliárias, responsáveis pelos serviços de venda e aluguel. De acordo com a pesquisa GEM 2010, naquele ano o setor foi escolhido por 13% dos empreendedores que buscaram um negócio por acreditar no sucesso dele, e por 9% entre aqueles que empreenderam por necessidade.
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O franchising deve continuar sendo, nos próximos anos, a porta de entrada para o mundo dos negócios para muitos empreendedores brasileiros. As franquias de empresas prestadoras de serviços devem ter amplo crescimento, diz a vice-presidente da ABF (Associação Brasileira de Franchising), Cristina Franco. Ela cita como exemplo as lavanderias. “Hoje, só 3% da população brasileira lava roupas fora de casa. Além disso, os imóveis têm áreas cada vez menores. Tudo isso mostra que as lavanderias têm muito espaço para crescer”, analisa. Ela aposta, também, no crescimento da quantidade de franquias de serviços ligados à construção civil, como empresas que alugam máquinas, andaimes e britadeiras para outras empresas e pessoas físicas.
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Atrair profissionais qualificados, oferecer produtos e serviços a custos competitivos e se diferenciar da concorrência são fatores decisivos para o crescimento das PMEs no Brasil nos próximos anos, segundo as próprias empresas. É o que mostra uma pesquisa feita pela consultoria Deloitte em 2011, que listou as 250 PMEs que mais cresceram no Brasil. A preocupação com relação à mão de obra, especialmente, tem aumentado entre as empresas brasileiras, principalmente por duas razões. Uma é que faltam profissionais devidamente qualificados. Para se ter uma ideia, segundo dados do Ministério da Educação, a cada ano apenas 55 mil estudantes se formam nas áreas de engenharia, produção e construção no Brasil. O outro motivo é que os profissionais qualificados pedem salários cada vez mais altos.
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Os grandes eventos esportivos que acontecerão no Brasil trarão uma série de boas oportunidades de negócios para os empreendedores. “Quem abrir um negócio com foco nesses visitantes agora já sabe que vai ter um início aquecido”, afirma o professor Fábio Gallo, da FGV-Eaesp. O desafio é fazer com que os novos negócios não dependam apenas dos clientes que chegarão para assistir aos jogos. Para o especialista, a Copa do Mundo e a Olimpíada não podem ser o único fim do negócio, caso contrário ele estará fadado ao fracasso assim que as medalhas forem entregues e os atletas forem embora do país. “O evento tem que ser um motivador, um impulsionador do negócio”, diz.
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Ainda que alguns setores tenham grande potencial de crescimento no Brasil nos próximos anos, a escolha não deve ser feita exclusivamente por conta dessas expectativas. Para o professor da FGV-Eaesp Fábio Gallo, a escolha do setor não deve se pautar exclusivamente pelas oportunidades do mercado, e sim levar em conta a afinidade do empreendedor com aquela área. “Afinal, é daquele negócio que o empreendedor vai tirar o seu sustento, e vai ter de conviver com ele no dia a dia”, diz. Por isso, não basta o negócio dar dinheiro. O empresário tem que se sentir bem indo trabalhar todos os dias.
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O Brasil vem ganhando empreendedores a cada dia. Segundo dados do Anuário do Trabalho na Micro e Pequena Empresa 2010/2011, desenvolvido pelo Sebrae em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), entre 2001 e 2009, o número de donos de micro e pequenas empresas e de trabalhadores por conta própria passou de 20,2 milhões para 22,9 milhões no país. Mas, apesar da vontade dos brasileiros de empreender, não é fácil vencer à frente do seu próprio negócio.
De cada 100 micro e pequenas empresas abertas no Brasil, 27% fecharam as portas após os primeiros dois anos de existência, segundo o estudo Taxa de Sobrevivência das Empresas no Brasil, divulgado pelo Sebrae no ano passado. Os especialistas no assunto dizem que uma boa gestão e a elaboração de um plano de negócios são ferramentas essenciais para ajudar as empresas (sejam elas micro, pequenas, médias ou grandes) a sobreviver. Mas, além disso, é preciso ter inclinação para o empreendedorismo para ser bem-sucedido à frente de um negócio. “É preciso ter uma característica natural para correr riscos para ser empreendedor”, avalia o professor da FGV-EASP Fábio Gallo. Isso porque os negócios levam um certo tempo para dar um retorno financeiro mais confortável, exigem dedicação do empresário e são arriscados (o que significa que nem sempre o negócio dará certo).
Além do espírito empreendedor, é necessário também ter preparo para se tornar um empresário de sucesso. Em primeiro lugar, segundo o professor da FGV-Eaesp Fábio Gallo, é necessário conhecer ou pelo menos ter alguma afinidade com a área em que o negócio será aberto. “Se o empreendedor não tiver o conhecimento, pode buscar uma capacitação; mas é necessário ter afinidade”, afirma. Ainda assim, não basta conhecer ou gostar da área em que se vai atuar. O professor acrescenta que é necessário ter algum conhecimento sobre gestão de negócios. “A falta de gestão é um dos principais fatores que levam uma empresa a fechar nos primeiros anos de vida”, destaca Gallo. Buscar um sócio que complemente esse perfil pode ser uma solução.
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Ter seu negócio pode ser um bom caminho para não precisar mais ter um patrão, mas é preciso ter paciência para colher os lucros. “Nos primeiros anos o lucro é sempre reinvestido na empresa”, alerta Fábio Gallo, professor da FGV-Eaesp. Por isso, ele recomenda que o empreendedor tenha um plano financeiro pessoal separado do plano financeiro feito para o seu negócio. Para ele, é recomendável definir, no plano de negócios, qual será a sua retirada mensal - mas é preciso saber que em alguns meses não será possível fazer retirada nenhuma. “É preciso ter uma poupança para os tempos difíceis”, alerta. Ao elaborar seu plano de negócios, o empreendedor também poderá avaliar qual o prazo para que a empresa passe a dar retorno. “Cada ramo é diferente. Não adianta falar em prazo fechado, a avaliação deve ser feita por alguém que conheça finanças e para o negócio específico”, diz.
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Além da preocupação com gestão, as empresas de pequeno e médio porte que mais crescem no Brasil têm grande preocupação com rentabilidade, segundo Christiane Marie Menezes Rodrigues, gerente sênior da área de consultoria da Deloitte. “A boa gestão, a preocupação com a rentabilidade e com redução de custos são alavancadores do melhor desempenho das empresas, e contribuem para o crescimento do resultado”, afirma a especialista. A preocupação com uma boa gestão e com a rentabilidade, segundo ela, é o fator para o sucesso que depende da própria empresa. Já a situação da economia brasileira é o fator externo que pode ajudar ou atrapalhar o crescimento da empresa e que, atualmente, está jogando a favor do empreendedor. “O Brasil vive um bom momento”, diz a especialista.
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As vendas no comércio eletrônico devem crescer 25% em 2012 no Brasil, na comparação com 2011, segundo a projeção da consultoria e-bit. A expectativa da e-bit é de que o faturamento do setor passe de R$ 23 bilhões este ano. Esse é um setor que deve estar no foco dos empreendedores brasileiros nos próximos anos. Abrir um negócio na Internet, porém, exige atenção, destaca o advogado especializado em Direito Eletrônico Rony Vainzof, sócio do escritório Opice Blum, Bruno, Abrusio e Vainzof Advogados. O site precisa firmar parcerias com outras empresas que vão prestar serviços adicionais relacionados, por exemplo, à segurança dos dados cadastrais e bancários dos clientes. “É importante desenvolver um termo de uso do site, feito com base na legislação, como o Código Civil e Código de Defesa do Consumidor”, diz Vainzof. “É interessante ter a ajuda de um advogado nesse momento. Mas, somente seguindo a Lei, o empreendedor já vai evitar muitos problemas.”
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