Filipe Gonçalves
Direto de São Paulo
Comprar um carro 0 km é sinônimo de garantia de procedência e menor preocupação com quebras, pelo menos durante o 1º ano de uso. Contudo, adquirir um carro novo pode não ser bom negócio, dada a desvalorização mais rápida do bem em relação a um usado e sua relação custo-benefício também inferior quando comparada a de um seminovo. Porém, segundo especialistas, a cultura do mercado brasileiro é de desdém do usado, o que faz com que muitos compradores acabem desperdiçando oportunidades melhores de compra do que optar por um 0 km.
De acordo com o diretor-geral do Centro de Estudos Automotivos (CEA), Luiz Mello, não existe no País uma cultura de valorização do carro usado, que é tratado apenas como moeda de troca. “O carro usado não é tratado pela rede formal de vendedores com a dignidade que merece. Ele não tem marca, é usado, mas tem tecnologia, tem conveniência, tem conforto claramente melhores.”
Muito embora não haja a atenção devida aos usados, Mello acredita que basta procurar para encontrar negócios que sejam vantajosos, até porque, segundo ele, a maioria da população que adquire o primeiro carro, opta por um usado. “Vale muitíssimo a pena (comprar um modelo usado). Ele pode comprar o usado e fazer uns reparos que não tenham sido feitos”, acrescentou.
No entanto, o carro não é comprado de forma racional, ou seja, a decisão da compra não está relacionada apenas às características técnicas do veículo, mas também ao que ele representa no meio social. Segundo o consultor de finanças pessoais do Itaú Unibanco Jurandir Macedo, o carro só é um investimento para o revendedor, que lucra com o negócio. Para o restante das pessoas é um bem de consumo. Nesse sentido, não basta ao veículo usado ser superior aos novos para ser mais atraente ao consumidor. “Do ponto de vista financeiro é melhor (adquirir) o carro usado, mas a questão do carro é muito particular”, disse o consultor.
Há ainda o fato de que o carro novo sofre uma depreciação maior no valor – de acordo com o superintendente executivo da WebMotors, Ronaldo Rondinelli, o veículo 0 km sofre em média uma depreciação entre 10% e 15% no primeiro ano e mais 10% no segundo ano. Por conta dessa depreciação e também dos gastos com o seguro, Macedo afirma que o custo é menor para quem compra um carro de três anos e o revende depois de três, do que quem que compra um veículo novo e o vende após três anos.
Por outro lado, para Rondinelli, a opção pelo 0 km permite ao consumidor gastar menos com a manutenção inicial, além da tranquilidade de ser o primeiro dono. “A tendência dos gastos é a partir do segundo ano. Quando você compra o carro novo você vai usufruir mais do tempo de garantia ainda, tem procedência total e o cheirinho de carro novo que ninguém consegue copiar”, destacou.
Com base na tabela de preços da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o Terra selecionou os dez veículos de passeio mais baratos do País e, para cada um, três opções de usados com até cinco anos de fabricação com características superiores e preços semelhantes.