Veja 10 casos de carros “clonados” por montadoras chinesas


Dois veículos chineses disponíveis atualmente no Brasil, o Chery QQ e o Lifan 320, são apontados como “cópias” de modelos de outras marcas, o Daewoo Matiz e o consagrado Mini Cooper, respectivamente. O QQ chegou ao Brasil em abril deste ano como um dos veículos mais baratos do País e tem, segundo a montadora, cerca de 3 mil unidades vendidas até o momento. A marca chinesa esclarece que a semelhança com o rival já foi discutida legalmente. “O caso foi objeto de disputa inclusive, mas já foi tudo resolvido”, afirma Luis Curi, diretor da Chery no Brasil.

Segundo Ronaldo Mazará Júnior, diretor de engenharia da Lifan no Brasil, acusações desse tipo são mais comuns do que se pensa. “O Carl Benz construiu o primeiro automóvel no mundo na Alemanha. Não estava lá, mas tenho quase certeza que ele apontou o segundo automóvel como uma cópia”, diz. Segundo Mazará, os critérios para chamar um veículo de clone não são muito claros, mas eles não se restringem às montadoras chinesas. “O (Chery) Cielo e Punto (da Fiat) são bastante parecidos. O novo Uno não lembra outro automóvel? Eu vejo semelhanças com o Kia Soul”, afirma.

Na visão dele, os modelos Mini Cooper e Lifan 320 se enquadram dentro dos mesmos padrões e seguem as mesmas tendências de design. Mas é apenas isso. “O Mini Cooper é de um segmento muito peculiar... é um segmento vintage esportivo, vamos dizer assim. E o (Lifan) 320 também se enquadra nesse padrão. Mas se você fizer uma comparação séria dos dois veículos, friamente e tecnicamente, você vai ver que não tem nada a ver um com o outro”, diz.

Não é o que pensa o consultor para indústria automobilística André Beer. Na opinião dele, as montadoras do país asiático “clonam” protótipos das concorrentes de maneira proposital. “Como eles pegam o design e o modelo praticamente pronto - e isso não custa barato para as montadoras-, os veículos chineses se tornam ainda mais competitivos, podendo depois chegar ao mercado com acessórios que não são oferecidos por outras montadoras”, afirma.

Para Beer, essas acusações acabam por influenciar o consumidor no momento da compra, mas ainda não há como verificar qual será a relação dessas montadoras no Brasil. “Vamos saber a resposta disso em algum tempo. Qual é a qualidade e a durabilidade desses carros? Nesse momento até creio que a qualidade deixe a desejar, mas nada impede que eles melhorem”, diz. No entanto, o consultor crê que a ampliação de carros chineses no País é irreversível. “Em 1997, o brasileiro não comprava carros coreanos. Agora as vendas estão junto aos demais carros. Não vai ser possível mudar esse curso porque a China tem um mercado interno muito grande e isso dá sustentação para aprimorar a exportação dos produtos”.

Para o diretor da Chery no Brasil, é preocupante e “não ajuda em nada” as montadoras chinesas serem taxadas como “falsificadoras”. Mas, segundo ele, as “montadoras sérias” do país asiático abandonaram essa prática. “A Chery hoje já tem centros de desenvolvimento internacionais próprios, como o Pininfarina e o Bertoni. Agora é caminhar com tecnologia e design próprio”.