Daniel Fávero
Vinícius Pereira
Direto de Porto Alegre e São Paulo
Experimentar para nunca mais trocar. Essa é a tática que as fabricantes de carros de luxo no Brasil estão implementando para atrair clientes que nunca pensaram em ter um Audi ou um Mini Cooper, por exemplo, na garagem. Com dois lançamentos em maio de modelos mais baratos de seus carros de entrada, essas marcas buscam ampliar o número de consumidores de seus produtos e fazer com que eles não troquem mais de montadora.
A alemã Audi lançou no Brasil seu modelo de entrada, o Audi A1, que custa a partir de R$ 89.900. Antes do lançamento do A1, o carro mais barato vendido pela Audi no País era o A3 Sport, que custa a partir de R$ 110 mil. Segundo o diretor de marketing e vendas da Audi do Brasil, Leandro Radomile, a montadora busca com o A1 o público mais jovem que terá o primeiro carro da marca.
"É a porta de entrada para o mundo da Audi. A gente concentra em um carro compacto a mesma tecnologia que nos temos para os demais membros da família Audi. Essa é a função do A1, cativar o público jovem que está entrando nesse mercado". Radomile afirmou ainda que "a capacidade de renda deles (dos jovens) é diferente, mas eles querem um carro premium, e ainda não podem ter o A3, A4”.
“Muitos consumidores vão ter, com o A1, a oportunidade de trocarem os seus carros de marcas de volume, para, pela primeira vez, terem o prazer de guiarem um automóvel que traz a tecnologia de ponta, a mais avançada da indústria automobilística”, disse o presidente da Audi Brasil, Paulo Kakinoff.
De acordo com o especialista no setor automotivo André Beer, a estratégia das montadoras para atrair novos primeiros compradores das marcas funciona e traz para a carteira de clientes potenciais consumidores de carros mais caros. “A compra do primeiro carro de uma marca de luxo sempre funciona, pois quando você entra no mercado você sempre tenta subir um degrau, nunca descer”, afirmou.
A Mini lançou em maio o seu carro de entrada para o público brasileiro. O Mini One chega com o preço inicial de R$ 69.950, substituindo o Mini Cooper Salt como o mais barato da empresa no País, que custa a partir de R$ 80.750. Para o diretor da Mini Brasil Martin Fritsches, o One vem para conquistar um novo nicho do mercado. “Queremos atingir uma nova fatia do mercado, de clientes que pagam entre R$ 60 mil e R$ 80 mil em um carro e que agora podem optar por ingressar ao segmento premium adquirindo o nosso produto de entrada”, afirmou.
Apenas com o Mini One, a montadora pretende conseguir um aumento de 40% no número de vendas em 2011. Em 2010, a montadora comercializou 407 veículos e para este ano a meta é vender 2,5 mil. De acordo com Fritsches, o público do One é majoritariamente masculino: 70% são homens entre 30 e 50 anos. Já a Audi, espera comercializar o dobro de veículos em relação ao ano passado, sendo que “desses 100% de crescimento, 60 pontos percentuais vêm do A1. O A1, sozinho, deverá corresponder a um terço das vendas da Audi, até um pouco mais em um ano completo de vendas”, disse o presidente da empresa.