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Economia fecha ano em ritmo mais fraco que o esperado e analistas reveem projeções para 2020

IBC-Br teve queda de 0,27% em dezembro, frustrando as previsões de que a atividade econômica ganharia tração no final do ano

14 fev 2020
10h40
atualizado às 18h43
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A economia brasileira terminou 2019 em um ritmo mais fraco que o esperado pelos analistas. Após os resultados ruins divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para indústria, comércio e serviços em dezembro, o Banco Central informou nesta sexta-feira, 14, que seu Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), uma espécie de prévia do PIB, teve queda de 0,27% em dezembro e fechou o ano com alta de 0,89%.

O resultado abaixo do previsto - economistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast estimavam um crescimento de 1% do IBC-Br em 2019 - desencadeou uma leva de reduções das projeções para o crescimento do PIB deste ano. O banco Santander, por exemplo, rebaixou sua projeção de alta de 2,3% para 2%. Na Novus Capital, a queda foi de 2,5% para 2%. Já o banco Barclays reduziu sua estimativa de 2,3% para 2,1%.

Levantamento feito pelo Projeções Broadcast com 28 instituições financeiras aponta, na mediana, para um crescimento de 2,2% em 2020. Mas já há estimativas inferiores a 2%.

"O IBC-Br de dezembro consolidou uma série de indicadores ruins para o mês, que foram registrados na indústria, no varejo e nos serviços", disse Lucas Nobrega Augusto, economista do Santander. Para ele, as expectativas de fim de ano foram frustradas porque os recursos do FGTS - liberados pelo governo como forma de fortalecer o consumo - não foram sacados integralmente, além de uma boa parte ter sido gasta já no terceiro trimestre. Para ele, no final, "o estímulo foi menor do que se imaginava".

Para o economista Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central, os resultados da economia no final do ano deixaram uma certa frustração. Ele destaca que a decepção com os dados se dá considerando principalmente a melhora no mercado de trabalho e o estímulo extra do FGTS. Segundo ele, o descompasso entre o mercado de trabalho e os dados de produção está aumentando.

"Principalmente a parte de investimento prossegue fraca no geral. Agora, é difícil avaliar o que está por trás disso. A agenda política pode ser uma hipótese. Bate-se cabeça de forma generalizada. Depois da aprovação da Previdência, o governo enviou as três PECs (Proposta de Emenda à Constituição). Mas não vemos esforço de aceleração disso. O quadro de incerteza política é grande", disse ele.

Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, também acredita que houve perda do ritmo de crescimento do último trimestre por conta da frustração com o impacto do FGTS. No entanto, ele mantém a projeção de crescimento do PIB para este ano, que já era moderada, de 2%. Segundo Vale, apesar do resultado fraco, quando se avalia o resultado do IBC-Br do quarto trimestre em relação ao mesmo período de 2019, houve uma melhora. No terceiro trimestre, a taxa de crescimento anual era de 0,7% e subiu para 1,4% no quarto trimestre.

O economista Gesner Oliveira, sócio da GO Associados, é outro que pondera os resultados. Ele lembra, por exemplo, que no segundo trimestre de 2019 o IBC-Br caiu 0,15% e, no mesmo período, o PIB cresceu 0,4%. "Não excluo a possibilidade de fechar o ano com crescimento acima de 1% do PIB." Ele ressalta que o IBC-Br tem sido sistematicamente inferior ao que tem saído nas contas nacionais. Por isso, o economista mantém a previsão de crescimento acima de 2% para este ano.

Assim como Vale, Gesner ressalta que o crescimento do quarto trimestre sobre o mesmo período de 2018 foi de 1,4%, segundo o IBC-Br. "A percepção de que o crescimento no segundo semestre se acelerou continua valendo", diz.

Juro na mínima história, inflação baixa e capacidade ociosa de produção nas fábricas são fatores apontados pelos economistas que podem garantir a continuidade da recuperação da atividade neste ano - em ritmo moderado -, mesmo com as incertezas no mercado global.

Augusto, do Santander, lembra do impulso vindo do agronegócio, com a colheita da supersafra de soja, que deve impactar a economia neste trimestre. Além do agronegócio, Vale, da MB Associados, ressalta a influência positiva do mercado imobiliário em 2020, com o grande número de lançamentos. A construção civil é um setor que emprega muita mão de obra e tem efeito multiplicador na atividade.

Gesner pondera que, para tornar esse crescimento mais robusto neste ano e nos próximos, é necessário ampliar os investimento em infraestrutura, estimulando programas de parcerias e concessões, especialmente em saneamento. "A fronteira da expansão está na infraestrutura para gerar investimento", diz. / MÁRCIA DE CHIARA, FABRÍCIO DE CASTRO, THAÍS BARCELLOS E RENANTA PEDINI

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