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Impeachment esfria e mercado econômico reage com pessimismo

24 mar 2016
15h10
atualizado às 15h10
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Mercado está preocupado com futuro do governo atual
Mercado está preocupado com futuro do governo atual
Foto: Romério Cunha/Flickr do Michel Temer / O Financista

Os mercados reagem com pessimismo diante da percepção de que as chances de um impeachment de Dilma Rousseff tenham se enfraquecido com a divulgação de lista da Odebrecht com nomes de políticos que possam ter recebido propina.

“O mercado está muito parecido com ontem, na medida em que há uma perda do ímpeto do impeachment”, explica Álvaro Bandeira, economista-chefe do homebroker Modalmais.

Também pesa negativamente sobre o comportamento dos investidores a notícia de que o governo federal vai pedir ao Congresso Nacional autorização para fechar o ano com um déficit primário de R$ 96,65 bilhões em 2016, em meio à intensa frustração de receitas com a recessão econômica, em uma medida que deve elevar ainda mais a dívida pública brasileira.

A queda generalizada das bolsas internacionais e das commodities no exterior também ressalta o tom negativo do índice doméstico. O minério de ferro fechou com queda de 2,6%, enquanto o petróleo cerca de 2%.

No quadro político, a decisão do PMDB sobre eventual rompimento com o governo é acompanhada pelo mercado. Segundo fonte ouvida pela Reuters, o PMDB já contabiliza pelo menos 75 votos a favor da decisão de deixar o governo em um total de 127 votantes na reunião do diretório que acontece na próxima terça-feira (29), o que dá uma vitória tranquila ao grupo que defende o rompimento.

O número pode ser ainda maior, chegando a 85 votos, diz a fonte. Com sete ministros e a maior bancada da base aliada no Congresso, o PMDB é a maior esperança do Planalto para ter os votos necessários para barrar o processo. O ritmo do impeachment segue e Dilma Rousseff tem agora apenas seis sessões plenárias para apresentar sua defesa.

Por volta das 13h06, o Ibovespa caía 0,84%, aos 49.270 pontos. 

Entre as ações com maior volume de negócios, os papéis da Petrobras (PETR4) cedem 1,15% diante da queda de cerca de 2% do preço do barril do petróleo tanto em Nova York quanto Londres. As ações da Vale (VALE5) avançam 3,80% após o Bank of America Merrill Lynch elevar a recomendação para o papel de neutra para compra.

Os papéis da Braskem (BRKM5) têm a maior queda do índice, de 2,69%, após despencarem 11,73% no último pregão. Os ativos ainda repercutem a decisão da Odebrecht, controladora da petroquímica, de colaborar com os procuradores da Lava Jato e que está negociando acordo de leniência.

Um gestor disse que a notícia pode acelerar a venda do controle da Braskem pela Odebrecht, já que os recursos seriam importantes para financiar um potencial acordo de leniência da Odebrecht junto à CGU.

Câmbio

O dólar desacelerou os ganhos após o Banco Central rejeitar as ofertas dos até 3 mil ofertados no leilão de swap reverso, que equivalem a compra futura de dólares, desta manhã.

O BC também reduziu pela terceira vez neste mês a oferta de swaps cambiais tradicionais – que equivalem a venda futura de dólares – para rolagem dos contratos que vencem em abril. Se mantiver até o penúltimo pregão do mês a oferta de até 2 mil contratos, contra 2,6 mil na operação da véspera, rolará pouco menos de 70% do lote total, correspondente a US$ 10,092 bilhões.

Também no mercado de câmbio os agentes de mercado estão receosos que uma eventual delação premiada dos executivos da Odebrecht possa jogar água no fervilhão do impeachment. O pregão pré-feriado é de cautela.

“Amparando esse movimento, sinalizações nos recentes discursos de diversos dirigentes do Fed indicam que uma nova manobra de alta de juros no país pode vir já na reunião de abril”, acrescenta Ricardo Gomes da Silva Filho, operador da Correparti Corretora.

Neste contexto, o dólar à vista tinha alta de 0,59%, cotado a R$ 3,7050, após ter testado patamar superior, com a máxima de R$ 3,7215.

Juros

O mercado de juros futuros opera em alta com a sinalização de que o Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) irá aumentar juros nos próximos meses. O cenário pessimista com a política também pesa.

“Fed sinalizou que no curto prazo começará a subir juros. Assim, todos os recursos do planeta vão para lá. Para reter os investimentos aqui, a curva de juros abre”, afirma Pablo Stipanicic Spyer, diretor de operações da Mirae Asset Wealth Management Brazil.

O presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, disse nesta quinta-feira (24) que outro aumento juros nos Estados Unidos "pode não estar longe", após o Fed ter mantido sua posição na semana passada e feito apenas pequenas reduções em suas projeções econômicas.

Neste contexto, a taxa de juros negociada na BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros) com vencimento em janeiro de 2017 tinha alta de 13,74%, no fechamento do último pregão, para 13,78%. O contrato do juro para janeiro de 2018 avançava de 13,44% para 13,54% e a taxa para janeiro de 2019 subia de 13,67% para 13,80%.

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