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Imbróglio sobre Previdência empurra dólar a máxima em 3 semanas ante real

17 abr 2019
17h40
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O dólar engatou a segunda alta consecutiva e fechou acima de 3,93 reais nesta quarta-feira, na máxima em três semanas, catapultado pela piora na percepção sobre a evolução da reforma da Previdência no Congresso.

 REUTERS/Ricardo Moraes
REUTERS/Ricardo Moraes
Foto: Reuters

A volatilidade implícita nas opções de dólar/real de um mês saltou a cerca de 13,5 por cento ao ano, maior patamar desde 1º de abril, num claro sinal do aumento do grau de incerteza no mercado.

A cotação do dólar interbancário subiu 0,83 por cento, a 3,9343 reais na venda. É o maior patamar para um encerramento desde 27 de março (3,9545 reais).

Na B3, a referência do dólar futuro tinha alta de 0,88 por cento, a 3,9415 reais.

"A confusão política só piora. Então é difícil (o mercado) melhorar muito" no curto prazo, lamentou um operador de uma corretora.

O mercado começou o dia com expectativa de que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados votasse ainda nesta quarta-feira a admissibilidade da reforma previdenciária. Mas a CCJ adiou o parecer, que pode ocorrer agora apenas na próxima terça-feira. Integrantes da oposição e até mesmo de legendas que têm simpatia pela reforma, como as do centrão, pressionavam pela mudança de pontos polêmicos.

A divisa brasileira amargou, mais uma vez, o pior desempenho global nesta sessão, considerando 33 rivais do dólar. Em abril, o real está entre as moedas que mais perdem (sétima maior baixa), enquanto em 2019 ocupa a nona pior colocação na lista.

O imbróglio sobre a reforma da Previdência coloca o real junto com o rand sul-africano na dupla de moedas (fora a lira turca) que mais tem registrado performance aquém do padrão histórico, especialmente em momentos de demanda por risco, segundo o Goldman Sachs. O banco nota o desempenho mais fraco do real a despeito de um contexto de indicações mais "dovish" da parte do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA).

"A natureza do mercado de câmbio (do Brasil) mudou. O real deixou de ser moeda de carrego (que se beneficia de juros altos", disse David Beker, estrategista do BofA.

Segundo ele, para o real ter performance melhor, será preciso a materialização do que ele chama de "fluxo de crescimento", derivado de privatizações e compras de ativos no país, por exemplo. Confiante na vinda desses recursos, Beker mantém estimativa de dólar a 3,60 reais ao fim de 2019.

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