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Ibovespa sobe, mas cautela segue com política de preços da Petrobras e Previdência

15 abr 2019
17h09
atualizado às 18h09
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O Ibovespa fechou no azul nesta segunda-feira, apoiado principalmente na recuperação da Petrobras após tombo das ações da petrolífera na sexta-feira, mas o avanço foi modesto, com investidores preferindo cautela após a confusão do governo sobre reajuste do preço do diesel e no aguardo de novidades sobre a Previdência.

Painel na Bolsa de Valores de São Paulo
12/05/2016
REUTERS/Paulo Whitaker
Painel na Bolsa de Valores de São Paulo 12/05/2016 REUTERS/Paulo Whitaker
Foto: Reuters

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,22 por cento, a 93.082,97 pontos, após recuar nos quatro pregões anteriores, resultando em uma perda de 4,36 por cento na semana passada. Apenas na sexta-feira, caiu 1,98 por cento.

O volume financeiro somou cerca de 20,5 bilhões de reais, inflado pelo vencimento de opções sobre ações, que movimentou 6,1 bilhões de reais, sendo 3,6 bilhões de reais em opções de venda e 2,5 bilhões de reais em opções de compra.

De acordo com o operador Alexandre Soares, da BGC Liquidez, o episódio envolvendo a desistência da Petrobras em elevar o preço do diesel na semana passada gerou desconfiança entre os investidores sobre a real autonomia das empresas estatais do país e se o perfil do novo governo é de fato liberal.

O presidente Jair Bolsonaro e ministro da Economia, Paulo Guedes, reúnem-se nesta segunda-feira, e o tema deve estar na pauta, entre outros assuntos. No fim de semana, Guedes disse que qualquer atitude do presidente que não seja "muito razoável" pode ser solucionada com conversa.

Soares também acrescentou que investidores estão analisando erros e acertos do governo em relação à estratégia para a reforma da Previdência, considerada crucial pelo governo e pelo mercado para a melhora da situação fiscal do país. Nesse contexto, as atenções se voltam para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta segunda-feira que espera que a comissão especial que analisará o mérito da reforma da Previdência seja instalada na semana que vem ou na seguinte.

Maia disse esperar que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma tenha sua admissibilidade aprovada na CCJ da Câmara nesta semana, abrindo assim caminho para a instalação da comissão especial.

A relativa fraqueza em Wall Street corroborou o tom comedido na bolsa paulista, com resultados de bancos não empolgando, apesar dos lucros acima do esperado. O S&P 500 encerrou com oscilação negativa de 0,06 por cento.

DESTAQUES

- PETROBRAS PN subiu 0,4 por cento e PETROBRAS ON recuou 0,07 por cento, após um tombo no último pregão, quando a empresa perdeu 32 bilhões de reais em valor de mercado, após a ordem de Bolsonaro para a estatal suspender o reajuste do preço do diesel. A interferência do presidente na política de preços da estatal disparou questionamentos sobre a perspectivas da companhia. Na terça-feira, Bolsonaro reúne-se com os ministros de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco e técnicos da área.

- BR DISTRIBUIDORA e COSAN avançaram cerca de 4 e 2 por cento, respectivamente, tendo no radar perspectivas sobre o consumo de combustível no contexto de eventual represamento de preço nas refinarias. ULTRAPAR encerrou com acréscimo de 1,4 por cento. Neste ano, as distribuidoras não estão conseguindo repassar grande parte das altas realizadas pela Petrobras. Nos primeiros três meses do ano, o diesel subiu apenas 3 por cento nos postos, contra avanço de 18,5 por cento nas refinarias da Petrobras.

- ECORODOVIAS cedeu 4,2 por cento, maior queda do Ibovespa, tendo de pano de fundo notícia da sexta-feira de que a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na controlada indireta Eco 101, no Espírito Santo, no âmbito da operação "Infinita Highway", que tem foco na apuração de eventuais irregularidades relacionadas a laudos técnicos sobre a situação de rodovia. A empresa disse que instaurou auditoria interna para apurar os fatos. A rival CCR, recuou 2,7 por cento, segunda maior baixa da sessão.

- CIELO caiu 2,5 por cento, conforme segue pressionada pelo ambiente de maior competição entre as companhias de meios de pagamentos no país. Analistas do Bradesco BBI veem a empresa intensificando sua estratégia de preços agressiva. Mais cedo, o indicador de vendas do varejo nacional apurado pela companhia (ICVA) indicou recuo de 0,7 por cento em março ante igual mês de 2018, no pior resultado do índice em meses.

- VALE fechou com acréscimo de 0,3 por cento, revertendo perdas verificadas em parte da sessão, em dia negativo para mineradoras na Europa.

- ITAÚ UNIBANCO PN cedeu 0,06 por cento e BRADESCO PN recuou 0,2 por cento, pesando do lado negativo. Analistas do BTG Pactual afirmam estar positivos de modo geral para os resultados dos maiores bancos brasileiros no primeiro trimestre, destacando preferência por Bradesco.

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