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Ibovespa sobe 3,69% com recuperação externa e otimismo doméstico

30 out 2018
19h11
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A bolsa brasileira teve um pregão de forte alta nesta terça-feira, 30, influenciada principalmente por investidores locais, que levaram o Índice Bovespa a subir 3,69%, aos 86.885,71 pontos, maior pontuação desde 12 de março (86.900 pontos). A alta respondeu a uma combinação de fatores internos e externos. Lá fora, o restabelecimento do apetite por risco impulsionou as bolsas de Nova York e a maioria dos índices emergentes. Por aqui, repercutiram positivamente as sinalizações dadas pelo futuro ministro da Fazenda, Paulo Guedes, principalmente sobre esforços para fazer avançar a reforma da Previdência o quanto antes.

Na sexta-feira passada (26), último pregão antes do segundo turno da eleição presidencial, os estrangeiros retiraram R$ 1,481 bilhão da B3. O dado mostra que a alta de 1,95% registrada pelo Ibovespa naquele dia foi garantida por investidores locais. Mesmo diante das sucessivas retiradas de recursos externos, o Ibovespa acumula alta de 9,51% em outubro.

Para Álvaro Frasson, economista e analista da Spinelli Corretora, com o ambiente externo mais propício ao risco o investidor estrangeiro pode ter migrado recursos aplicados no Brasil, enquanto aguardava o desfecho da eleição presidencial. "O estrangeiro vai ser um pouco mais cético do que o investidor nacional. Há uma diferença de postura entre eles. O estrangeiro vai esperar fatos mais concretos", disse.

Na análise por ações uma das evidências da influência política no desempenho das ações foi a alta dos papéis da Petrobras. Importantes termômetros da percepção política, os papéis da estatal fecharam nas máximas do dia, com ganhos de 5,53% (ON) e 5,98% (PN), mesmo em um dia de quedas expressivas dos preços do petróleo. Vale ON teve comportamento semelhante, uma vez que minimizou a queda do minério de ferro e terminou o dia em alta de 1,45%. Ações do setor financeiro subiram em bloco. Banco do Brasil, outra ação sensível à percepção de risco político, subiu 2,94%.

O otimismo do investidor com as sinalizações do novo governo acabou por minimizar pequenos ruídos de comunicação entre seus integrantes e as sinalizações de lideranças do Congresso de que talvez não seja possível avançar com a reforma da Previdência este ano. Segundo Frasson, da Spinelli, o mercado provavelmente não trabalha com a aprovação da reforma neste ano, mas espera que o assunto seja concluído no primeiro semestre de 2019.

À tarde, o economista Paulo Guedes, futuro ministro da Fazenda do governo eleito, conversou com a imprensa após reunir-se com o presidente eleito Jair Bolsonaro, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) e o general Hamilton Mourão. Guedes afirmou que "quanto mais rápido" reformar a Previdência, melhor, porém é preciso levar em conta fatores políticos antes de trabalhar pela aprovação neste ano.

Estadão
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