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Diante de solução para a dívida dos precatórios, Bolsa se recupera e sobe 1,3%; dólar cai

Ibovespa tentou apagar parte das perdas do pregão anterior, quando foi pressionado pelo risco de calote da chinesa Evergrande; mercado viu com bons olhos proposta de Rodrigo Pacheco para os precatórios

21 set 2021 11h18
| atualizado às 18h18
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Os mercados buscaram por uma recuperação nesta terça-feira, 21, depois das perdas do dia anterior, com o temor de calote da gigante chinesa do mercado imobiliário Evergrande. No entanto, a sessão ainda teve alguma aversão aos riscos, com o investidor à espera da 'Super Quarta', quando saem as decisões de política monetária do País e dos Estados Unidos. Por aqui, a Bolsa brasileira (B3) subiu 1,29%, aos 110.249,73 pontos, enquanto no câmbio, o dólar cedeu 0,84%, cotado a R$ 5,2863.

Com o exterior mais ameno, o investidor se voltou para o cenário local, com destaque para a promessa do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), de enviar em breve ao Congresso uma proposta de retirar do teto de gastos a maior parte dos R$ 89,1 bilhões em precatórios devidos pelo governo.

Com isso, até R$ 50 bilhões das dívidas judiciais a serem pagas pela União ficariam "alheias ao teto", sendo transferidas para 2023. A declaração veio após reunião com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) e o ministro da Economia, Paulo Guedes.

Pacheco disse ainda que a "solução" acordada nesta terça "não é calote". A proposta deverá ser bem recebida pelo mercado financeiro, na avaliação da equipe de Research da Necton Investimentos. "Deve animar o mercado porque traz força política ao debate dos precatórios. Solução dentro do teto e com pagamento dos precatórios é a melhor do ponto de vista do mercado", afirma a instituição, em breve comentário.

"A declaração sobre precatórios agradou por mostrar alguma unidade. Talvez não haja mais espaço para agenda de reformas este ano, mas para contenção de danos, sim", diz Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, observando também que a recuperação de hoje teve impulso do exterior. Nova York fechou sem direção única, com Dow Jones e S&P 500 em baixa, mas o Nasdaq em alta. Na Europa, as Bolsas de Londres, Paris e Frankfurt tiveram ganhos de 1,12%, 1,43% e 1,50% cada. Na Ásia, a Bolsa de Hong Kong subiu 0,51%.

Apesar do mercado aprovar, especialistas discordam da proposta. Para o economista Ítalo Franca, do Santander Brasil, esse "saldo alheio" precisa de gerenciamento para evitar o risco de acúmulo nos anos seguintes. Nos cálculos de Franca, sem nenhum tipo de gerenciamento desse "resto", há potencial para acumular R$ 170 bilhões em precatórios não pagos entre 2022 e 2025, o que equivale a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) previsto para 2022.

"Essa tratativa é positiva e reduz um pouco a percepção de risco fiscal para o próximo ano, o que traz um alívio em um primeiro momento. Mas acaba jogando o problema para 2023 e há o risco de um efeito bola de neve", diz a economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack.

No entanto, os ganhos do mercado foram limitados ainda por alguma tensão diante do caso Evergrande. "A expectativa é de que o governo chinês traga alguma solução, embora o Partido Comunista Chinês precise colocar na balança o que é mais danoso: o risco sistêmico da insolvência da incorporadora ou o risco moral de resgatá-la", diz Filipe Fradinho, analista técnico da Clear Corretora.

Para além da China, a expectativa pela Super Quarta, com as decisões do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e do Banco Central brasileiro, também pesaram no movimento de recuperação do mercado. Para Cruz, da RB, o Fed pode sinalizar amanhã um movimento tímido de diminuição do programa de compra de títulos públicos, com provável início no primeiro trimestre de 2022, prevalecendo assim o alinhamento em torno do pensamento de Jerome Powell, presidente do Fed. Aqui, o Copom deve anunciar aumento de 1 ponto porcentual na Selic, em ritmo que deve ser mantido até o fim do ano.

Com o desempenho de hoje, o Ibovespa cede agora 7,18% no mês, limitando a perda a 1,07% na semana - no ano, cai 7,37%. Entre as ações, o movimento também foi de recuperação. Banco do Brasil ON subiu 2,54%, enquanto Petrobras ON e PN avançaram 1,59% e 2,27% cada, e Vale teve alta de 0,97%. Na face oposta, IRB cedeu 1,84%, Sul América, 1,74% e Raia Drogasil, 1,16%.

Câmbio

O anúncio de uma nova proposta para resolver o problema dos precatórios abriu espaço também para uma rodada de apreciação do câmbio na sessão desta terça. Renovando sucessivas mínimas ao longo da tarde, o dólar chegou até a furar o piso de R$ 5,26, mas acabou recuperando parte do fôlego no fim da sessão. Com isso, a valorização acumulada em setembro caiu para 2,21%. O dólar para outubro teve queda de 1,09%, a R$ 5,2800.

"Essa demonstração de entrosamento entre o Legislativo e Executivo nessa questão dos precatórios tira uma preocupação mais forte do mercado em relação ao teto de gastos, que vinha pressionando muito o câmbio", afirma Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora, que vê espaço para o dólar recuar ainda mais e até buscar os R$ 5 caso não haja surpresas desagradáveis em Brasília.

No exterior, o índice DXY - que mede o desempenho do dólar frente a seis moedas fortes - operou em leve queda, na casa dos 93 mil pontos. O dólar teve um desempenho misto em relação a divisas emergentes e de países exportadores de commodities, que tendem a ser mais afetados em caso de uma desaceleração maior do crescimento chinês por conta da insolvência da Evergrande. /LUIS EDUARDO LEAL, ANTONIO PEREZ E MAIARA SANTIAGO

Estadão
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