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Ibovespa acumula ganho na semana, mas economia doméstica deixa investidor na defensiva

24 set 2021 17h42
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Temores renovados de crise na China e novas decepções com a economia doméstica interromperam nesta sexta-feira uma recuperação do principal índice brasileiro de ações. Ainda assim, a bolsa teve uma semana de alta, a primeira em quatro.

REUTERS/Paulo Whitaker
REUTERS/Paulo Whitaker
Foto: Reuters

Numa sessão com giro financeiro de apenas 25,7 bilhões de reais, abaixo da média diária recente de mais de 30 bilhões, o Ibovespa caiu 0,69%, aos 113.282,67 pontos. O índice ainda teve saldo positivo de 1,65% na semana após encadear três altas seguidas.

O mote do dia foi o limbo diante do silêncio da Evergrande sobre o pagamento de juro na véspera. Ninguém soube afirmar com certeza se houve calote, alimentando desconfianças sobre o plano do governo chinês de organizar a quebra controlada da empresa com 300 bilhões de dólares em dívidas, para evitar contaminação dos setores imobiliário e financeiro. Pelo sim, pelo não, o medo de contágio global prevaleceu ditando vendas de ativos de risco. Índices de ações pelo mundo tiveram quedas moderadas.

Na B3, novos dados refrescaram o quadro de deterioração da economia doméstica. A FGV revelou que a confiança do consumidor brasileiro caiu neste mês à mínima desde abril, refletindo incertezas em relação à recuperação da economia, risco de crise energética e avanço da inflação. Aliás, a medida pelo IPCA-15 subiu 1,14% em setembro, maior alta para o mês em 27 anos.

Os indicadores foram a senha para o investidor preferir embolsar ganhos antes do fim de semana. Para dar algum respaldo ao Ibovespa, restaram apostas em recuperação de setores bastante castigados nas últimas semanas, como o elétrico e o aéreo, e a reação a notícias corporativas envolvendo nomes como BRF, Banco Inter, além de Petrobras, com a alta global do petróleo.

Em relatório, a Inter Research citou vários fatores negativos no Brasil e no exterior ao reduzir a previsão para o Ibovespa no fim de 2021, de 142 mil para 128 mil pontos, o que ainda implicaria valorização de 13% em relação ao nível atual.

DESTAQUES

- BRF subiu 2,68%, após o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovar sem restrições a compra de ações da companhia pela rival Marfrig, que já tem quase 32% da empresa dona das marcas Sadia e Perdigão. A Marfrig encerrou com alta de 1,1% e JBS ganhou 3,7%.

- AMERICANAS recuou 3,55%, mostrando maior pessimismo de investidores com novos sinais de inflação persistentemente alta no país, o que eleva apostas de um ciclo de aperto ainda maior da política monetária, o que deve prejudicar o consumo. No setor, MAGAZINE LUIZA teve baixa de 1,5% e NATURA&CO caiu 2,9%.

- HAPVIDA teve queda de 1%. A empresa informou mais cedo que sua oferta pelo Grupo HB Saúde foi aprovada e prevê desembolsar 383,5 milhões de reais para comprar 59% dos acionistas da HB, a parcela dos que aprovaram a proposta.

- SANTANDER BRASIL retrocedeu 2,8%, ilustrando como investidores preferiam se desfazer de ações do setor bancário após uma recuperação robusta nas últimas três sessões. BRADESCO teve retração de 2,2% e ITAÚ UNIBANCO foi desvalorizada em 1,4%. BANCO INTER fechou em alta de 0,83%, após ter chegado a disparar 4% em meio a notícias de que negocia ampliar parceria com STONE.

- PETROBRAS evoluiu 0,2%, em linha com a alta dos preços internacionais do barril do petróleo. PETRORIO liderou os ganhos do índice, subindo 3,9%.

- VALE encolheu 1,55%, com a volta dos temores ligados à China e os possíveis impactos nas exportações de minério de ferro para aquele mercado. Na mesma trilha, CSN perdeu 3,6%, enquanto USIMINAS teve recuo de 2,16%.

- LIGHT teve incremento de 1,6%, liderando os ganhos no setor elétrico. ENEVA teve avanço de 1,5%. ELETROBRAS foi apreciada em 0,7%.

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