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Heringer: matéria-prima, greve de caminhoneiros e câmbio pressionam margens

10 ago 2018
21h20
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São Paulo, 10/08 - As margens da Heringer foram reduzidas no segundo trimestre pela alta de matérias-primas, pela greve dos caminhoneiros e pela valorização do dólar ante o real, disse o presidente da Fertilizantes Heringer, Dalton Carlos Heringer, em teleconferência com investidores. "As altas de ureia, cloreto de potássio e MAP no decorrer do trimestre pressionaram os custos. Neste período, houve a questão da greve dos caminhoneiros e alta da relação dólar-real", disse Heringer. Segundo ele, entretanto, "as novas vendas em junho tiveram margens boas em relação às verificadas de janeiro a maio".

O diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Heringer, Rodrigo Bortolini Rezende, ressaltou que a greve de caminhoneiros "distorceu a dinâmica do setor". Ele ressaltou que, até abril, o mercado brasileiro de fertilizantes havia crescido cerca de 25% em relação a abril do ano anterior. "Havia uma boa relação de troca para fertilizantes e culturas agrícolas e grãos, principalmente soja, mas, com a greve dos caminhoneiros, houve queda importante nas entregas de fertilizantes em maio, de cerca de 27% em relação a igual mês de 2017", disse. O executivo assinalou que, em junho, houve recuperação mas não o suficiente para colocar o resultado do semestre no positivo - a queda nas entregas nos seis primeiros meses ficou em 2,3% ante igual período do ano passado. "Acreditamos que o mercado de fertilizantes não deve apresentar crescimento no ano de 2018."

O executivo ressaltou que as entregas de fertilizantes da Heringer no segundo trimestre foram de 723 mil toneladas, ante 761 mil toneladas em igual trimestre do ano anterior. "No primeiro semestre, apesar do volume da empresa ter caído menos (-1,8%) do que o volume de mercado (-2,3%), houve perda de volume e receita esperados pela companhia, principalmente no segundo trimestre, por causa do evento não recorrente da greve dos caminhoneiros." Ele ressaltou ainda que, como efeito da greve, haverá concentração de entregas do insumo no segundo semestre.

Ainda assim, para os próximos meses, Heringer disse que a companhia não deve ser tão afetada quanto outras empresas pelo tabelamento. "As vendas da Heringer em longas distâncias são menores comparativamente com outras companhias. Temos entregas mais regionais, distribuídas em diversas culturas", disse, ressaltando que a diferença da tabela de fretes atual em relação ao mercado tende a ser maior para longas distâncias do que para pequenas distâncias. A empresa ressaltou ainda que a Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT) tem tentado trazer os valores mais para perto da realidade do mercado. "E temos uma frente dentro do setor tentando mostrar juridicamente a impossibilidade de se manter um tabelamento."

Com relação a um possível interesse da canadense Nutrien na Heringer, Rezende ressaltou que as empresas e seus controladores analisam "a viabilidade de alternativas de investimento relacionados ao negócio", mas que "não há nenhum tipo de documento vinculante com qualquer investidor em potencial no momento envolvendo a companhia ou ações da mesma".

Estadão Conteúdo

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