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Guedes se diz "frustrado" com reformas e privatizações

Ministro citou pontos da cartilha liberal que tentou implementar, mas que esbarraram em resistências dentro do próprio governo

23 nov 2020
19h21
atualizado às 19h23
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O ministro da Economia, Paulo Guedes, admitiu nesta segunda 23, estar "bastante frustrado" com o andamento de reformas em algumas dimensões e reconheceu que erros de sua própria pasta podem ter contribuído para a demora na evolução das privatizações.

Ministro da Economia, Paulo Guedes, participa de evento no Itamaraty
20/10/2020
REUTERS/Adriano Machado
Ministro da Economia, Paulo Guedes, participa de evento no Itamaraty 20/10/2020 REUTERS/Adriano Machado
Foto: Reuters

Em evento promovido pela Empiricus, Guedes elencou avanços, como a reforma da Previdência e a diminuição nos custos da dívida pública, mas também citou pontos da cartilha liberal que tentou implementar e acabaram esbarrando em resistências dentro do próprio governo.

"Em algumas dimensões, estou bastante frustrado", disse o ministro, quando questionado sobre o balanço que fazia do andamento das reformas. Ele se definiu "bem impressionado" com algumas coisas e "mal impressionado" com outras.

"Houve alguma hesitação de ministérios (na privatização de estatais), no nosso próprio ministério houve falhas", afirmou Guedes, sem citar quais seriam essas falhas ou quais empresas esbarraram nas resistências de outros órgãos do governo. Ele apenas admitiu que jogou "quase dois anos na defesa", sem atacar a frente das privatizações.

Ainda no início da gestão do presidente Jair Bolsonaro, ministérios setoriais já davam sinais de discordância com algumas privatizações ou extinções de empresas pretendidas pela equipe econômica. Por outro lado, o Congresso também tem colocado obstáculos à privatização da Eletrobrás.

Apesar de admitir falhas internas, Guedes voltou a mencionar "acordos políticos" que travam as desestatizações.

"Toda vez que fiz previsão, foi com base em acordo político. Mas mesmo com acordo político, às vezes tem mudanças", disse o ministro, tentando jogar a cobrança pelas entregas para o plano político. "Aprendi que quem dá o timing das reformas é a política, não adianta."

Ele afirmou ainda confiar que a venda de ativos estatais será acelerada no ano que vem. "O governo parece ter encontrado sustentação política em partidos de centro-direita", disse. "No começo era na base do meu voluntarismo, agora governo tem liderança para todo lado."

Guedes disse ter se reunido com a área política do governo, que deu o aval para privatizar os Correios, a Eletrobrás, o Porto de Santos e a Pré-Sal Petróleo (PPSA). Ele defendeu a privatização em curto prazo dos Correios e disse que, com o comércio eletrônico, há muita demanda por entregas. "É um ativo importante [Correios] e temos que vender antes que se deteriore", afirmou.

Nota positiva

Nas dimensões bem avaliadas, Guedes citou a aprovação da reforma da Previdência, a redução dos juros da dívida, o congelamento de reajustes a servidores públicos e o envio da reforma administrativa (que modifica a forma como os servidores são contratados, promovidos e demitidos).

No caso da reforma administrativa, o ministro disse que, numa escala de 0 a 10, o texto aprovado recebe uma "nota 7" porque perdeu a dimensão de capitalização, que criaria um novo regime de contribuição (por contas individuais) para futuros trabalhadores. A proposta era defendida por Guedes para baratear o custo de contratações, mas foi rechaçada ainda nas discussões iniciais da reforma.

Já o envio da reforma administrativa foi pensado para dar um sinal de reforma estruturante ante a prorrogação do auxílio emergencial até o fim de 2020, explicou.

O ministro ainda avaliou que o governo "começou bem" na dimensão da abertura econômica, destravando o acordo do Mercosul com a União Europeia. Sua implementação, porém, ainda depende de algumas etapas.

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Estadão
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