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Governo Bolsonaro tornará mais difícil acordo entre UE e Mercosul, diz Merkel

Recado foi dado enquanto negociadores promovem, em Montevidéu, a 'última chance' de um acordo em 2018

12 dez 2018
15h26
atualizado às 19h50
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GENEBRA - Em meio à fase decisiva nas negociações entre Mercosul e União Europeia, em Montevidéu, a chanceler alemã, Angela Merkel, cobra pressa para fechar o acordo e alerta que o tempo está se esgotando para um acordo comercial entre os dois blocos. A líder alemã afirmou a parlamentares que o novo governo brasileiro do presidente eleito Jair Bolsonaro tornará o tratado mais difícil de ser alcançado.

Os dois blocos não conseguiram chegar a um entendimento há duas semanas, quando negociadores do Mercosul passaram mais de dez dias em Bruxelas na esperança de superar alguns dos principais impasses.

"O tempo para um acordo entre a UE e Mercosul está se esgotando. O acordo deve acontecer muito rapidamente, pois, do contrário, não será tão fácil alcançá-lo com o novo governo do Brasil", disse Merkel.

Desde a última segunda-feira, 10, os diplomatas voltaram a se reunir, desta vez no Uruguai, para o que seria a "última chance" de um acordo ainda em 2018. Tanto do lado do Mercosul quanto da UE, existe a percepção de que o pacote negociado até hoje poderia ser desfeito uma vez que Bolsonaro tenha assumido o governo.

Sua equipe já indicou que poderia dar preferências a uma relação mais estreita com os EUA e, em parte, ignorar o Mercosul. Os temores da UE se confirmaram com a escolha de Ernesto Araújo como futuro chanceler. Entre os diversos textos escritos pelo diplomata, ele chega a citar a Europa como um continente "vazio culturalmente" e dando claras indicações de que os Estados Unidos serão sua referência.

Para os europeus, a ausência de um acordo pode significar a perda de espaço no médio prazo para eventuais concessões que o Brasil faça para empresas americanas.

Mas o Mercosul alerta que os europeus não têm se mostrado flexíveis e evitam fazer concessões, principalmente no setor agrícola.

Caso haja um avanço até sexta-feira, a Argentina então convocará uma reunião ministerial entre Mercosul e UE para tentar fechar os últimos detalhes de um acordo que já se negocia por 19 anos. Será nessa etapa "política" que algumas das últimas concessões poderão ser feitas, como a ampliação das cotas para o etanol ou carnes brasileiras.

O recado de Merkel, portanto, foi interpretado por diplomatas como um sinal claro de que a Alemanha quer um acordo ainda em 2018 e que está disposta a fazer concessões.

O principal obstáculo, porém, está na França, onde o governo está sob forte pressão e não está disposto a fazer concessões. Durante o G-20, no início do mês, o presidente Emmanuel Macron alertou que apenas fecharia um acordo com o Mercosul se Bolsonaro mantivesse os compromissos do país no Acordo Climático de Paris.

Na Unidão Europeia, a condição levantada por Macron foi vista como um sinal de que Paris está sob pressão para não fechar um entendimento e protelar qualquer abertura, principalmente no setor agrícola.

Ministro diz que País está empenhado

Segundo o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, o Brasil está empenhado para que o acordo seja concluído, mas é preciso que os dois lados estejam interessados.

"Nós atribuímos enorme importância (ao acordo UE-Mercosul). O ministro (das Relações Exteriores) Aloysio (Nunes) está pessoalmente empenhado na negociação. Tenho acompanhado todos os temas de maneira muito próxima e estamos dando todos os sinais que Brasil tem vontade e disposição de fechar o acordo, mas os dois lados têm que querer", afirmou Guardia a jornalistas.

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou que o Mercosul está pronto para fechar um acordo comercial com a União Europeia, que só não foi acertado ainda porque os europeus não querem concordar. "O Mercosul e a União Europeia só não têm um acordo, não é porque o Mercosul não quis, é porque a União Europeia não quis", disse o ministro.

Os comentários do ministro foram feitos em resposta às afirmações da chanceler alemã. O ministro Maggi rebateu o posicionamento de Merkel. "O Brasil flexibilizou o que podia flexibilizar... Flexibilizamos até em detrimento do uns setores aqui internamente", disse a jornalistas.

Bolsonaro já afirmou ser mais favorável a negociações bilaterais do que a engajamento em grupos multilaterais, como no caso do Mercosul. / COM REUTERS

Estadão

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