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FMI vê recessão global em 2020, com recuperação só em 2021

23 mar 2020
16h39
atualizado às 16h55
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A pandemia do coronavírus causará uma recessão global em 2020, que poderá ser pior do que a observada durante a crise financeira mundial de 2008-2009, mas a produção econômica mundial deve se recuperar em 2021, disse o Fundo Monetário Internacional (FMI) nesta segunda-feira (23).

A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, fala durante uma conferência organizada pelo Vaticano sobre solidariedade econômica, no Vaticano. 05/02/2020. REUTERS/Remo Casilli
A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, fala durante uma conferência organizada pelo Vaticano sobre solidariedade econômica, no Vaticano. 05/02/2020. REUTERS/Remo Casilli
Foto: Reuters

A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, saudou as ações fiscais extraordinárias já tomadas por muitos países para impulsionar os sistemas de saúde e proteger empresas e trabalhadores afetados, além de medidas de bancos centrais no sentido de afrouxar a política monetária, acrescentando: "ainda será necessário mais, especialmente no fronte fiscal".

Georgieva apresentou a nova perspectiva após uma teleconferência de ministros das Finanças e banqueiros centrais do G20, grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo, que, segundo ela, afirmou concordar com a necessidade de solidariedade em todo o mundo.

"Os custos humanos da pandemia de coronavírus já são imensuráveis e todos os países precisam trabalhar juntos para proteger as pessoas e limitar os danos econômicos", disse Georgieva.

Mais países estão impondo medidas de paralisação para conter o vírus que se espalha rapidamente e que já infectou 337.500 pessoas em todo o mundo e matado mais de 14.600.

Georgieva afirmou que as perspectivas para o crescimento global são negativas e, agora, o FMI espera "uma recessão pelo menos tão ruim ou pior que a vista durante a crise financeira global".

Mais cedo neste mês, Georgieva havia alertado que o crescimento mundial em 2020 ficaria abaixo da taxa de 2,9% vista em 2019, mas não previu uma recessão. No ano passado, as guerras comerciais empurarram o crescimento global para o nível mais baixo desde a contração registrada em 2009, de 0,7%.

Nesta segunda-feira, Georgieva disse que se esperava uma recuperação em 2021, mas que para alcançá-la os países precisariam priorizar a contenção e fortalecer sistemas de saúde.

"O impacto econômico é e será severo, mas quanto mais rápido o vírus parar, mais rápida e mais forte será a recuperação", disse ela.

Ela disse que o FMI vai ampliar com força o financiamento de emergência, afirmando que 80 países já pediram sua ajuda. O Fundo está pronto para usar toda sua capacidade de empréstimo de 1 trilhão de dólares, disse ela.

As economias avançadas estão geralmente em melhor forma para lidar com a crise, enquanto muitos mercados emergentes e países de renda baixa enfrentam desafios significativos, incluindo fluxos de capital externos.

Investidores já retiraram 83 bilhões dos mercados emergentes desde o início da crise, a maior saída de capital já registrada, disse Georgieva.

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