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Fed promete manter juro perto de zero até que inflação suba

16 set 2020
15h23
atualizado às 17h38
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O Federal Reserve (Fed) manteve as taxas de juros perto de zero nesta quarta-feira e fez uma nova e ousada promessa: mantê-las nesse patamar até que a inflação esteja no caminho para "superar moderadamente" a meta de 2% do banco central norte-americano "por algum tempo".

Prédio do Federal Reserve Board na Constitution Avenue, em Washington, EUA, 19 de março de 2019. REUTERS/Leah Millis
Prédio do Federal Reserve Board na Constitution Avenue, em Washington, EUA, 19 de março de 2019. REUTERS/Leah Millis
Foto: Reuters

A mudança na orientação faz parte da alteração de política monetária do Fed anunciada no mês passado e que busca compensar anos de inflação fraca e permitir que a economia continue criando empregos por quanto tempo for possível.

"Efetivamente, o que estamos dizendo é que as taxas permanecerão altamente acomodatícias até que a economia esteja bem adiantada em sua recuperação", afirmou o chair do Fed, Jerome Powell, em coletiva de imprensa após a divulgação do comunicado da última decisão do banco central e das projeções econômicas.

"Essa deve ser uma declaração muito poderosa no apoio à atividade econômica" e no retorno da inflação à meta de 2% do Fed mais rapidamente", disse ele, acrescentando acreditar que o chamado "forward guidance" (orientação futura) será "durável".

A recuperação, observou Powell, está em andamento, mas espera-se que o ritmo diminua, o que exige apoio contínuo do Fed e, segundo ele, de novos gastos do governo.

Ainda assim, a decisão do Fed teve dois votos que divergiram da maioria --um de um formulador de política monetária que achou que o Fed havia ido longe demais e outro de uma autoridade que considerou que as ações não foram suficientes.

O Fed também utilizou seu comunicado para começar a se afastar de um viés que contemplava a estabilização dos mercados financeiros em direção a um em que busca estimular a economia, mencionando que iria manter as compras de títulos do governo no ritmo atual de pelo menos 120 bilhões de dólares por mês, com objetivo de garantir condições financeiras "acomodatícias" no futuro.

"ENORME" DIFICULDADE

A epidemia de coronavírus continuou a pesar sobre a economia, disse o Fed no comunicado divulgado ao final de dois dias de reuniões, em avaliação feita a despeito de as autoridades terem melhorado sua perspectiva imediata para a economia.

O vírus "está provocando tremendo sofrimento humano e econômico", disse o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), acrescentando que o Fed "está comprometido em usar todo seu conjunto de ferramentas para apoiar a economia dos EUA neste momento desafiador".

Novas estimativas, divulgadas com o comunicado de política monetária, mostraram que a maioria dos membros do Fomc vê juros estáveis pelo menos até 2023, sem que a inflação supere 2% nesse período.

Powell disse que o Fed "está tanto confiante, quanto comprometido e determinado" a ultrapassar, modestamente, a taxa de 2% de inflação, mas ponderou que isso levaria tempo.

Os formuladores de política monetária estimam que a economia encolherá 3,7% neste ano, bem menos que a queda de 6,5% projetada em junho, e que o desemprego --que ficou em 8,4% em agosto-- deve cair a 7,6% ao final deste ano.

Todos os formuladores de política monetária do Fed enxergam os juros no atual nível até 2022, com quatro observando necessidade de um aumento em 2023.

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