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Evergrande não paga credores e derruba mercados internacionais

Humor do mercado azedou após a informação de que credores da incorporadora chinesa nos EUA ainda não receberam o pagamento de juros marcado para quinta-feira

24 set 2021 17h26
| atualizado às 18h31
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Os índices do exterior fecharam majoritariamente em queda nesta sexta-feira, 24, diante da volta da preocupação de investidores com a crise de solvência da incorporadora chinesa Evergrande, que havia ficado em segundo plano nas últimas sessões.

Após a notícia de que autoridades da China orientaram governos locais a se preparar para um eventual colapso da Evergrande, hoje foi noticiado que os credores da empresa nos EUA ainda não receberam o pagamento de juros previsto para ontem. A companhia tinha que pagar US$ 83,5 milhões em juros sobre títulos com valor de face de US$ 2,03 bilhões.

A empresa ainda teria, porém, 30 dias para fazer a operação antes que os detentores dos títulos possam declarar inadimplência. Ainda no noticiário, o Financial Times informou, a partir de fontes, que o Credit Suisse havia vendido no fim do ano passado toda sua exposição em títulos da Evergrande, como forma de se proteger em caso de eventual default. A ação da empresa em Hong Kong recuou hoje 11,61%.

Líderes e agentes do mercado, porém, têm tentado minimizar o impacto da crise da empresa. Ontem, alguns bancos chineses revelaram o quanto têm a receber da Evergrande e alegaram estarem preparados para absorver um possível calote.

Nos Estados Unidos, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, comentou que a situação envolve particularmente a China. Questionado sobre um possível impacto nos EUA, ele afirmou que não há grande exposição para o país. Powell disse, contudo, que poderia acontecer algum leve respingo por lá, como na confiança do mercado.

Já a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, disse que a exposição direta da zona do euro à Evergrande será limitada, embora os mercados financeiros estejam todos interligados.

Na visão do Ing, todo o caso de resolução de débito da Evergrande está "longe de ser esclarecido". O banco holandês observa que pode haver novas reviravoltas antes de uma reestruturação completa do débito, uma vez que as autoridades chinesas parecem esperar que a gigante do setor imobiliário resolva seus desafios por conta própria.

Além da Evergrande, a notícia de que a China proibiu as negociações com criptomoedas não foi bem recebida pelo mercado. "Se os usuários de criptografia chineses temem que uma "proibição de posse" esteja se aproximando, uma quantidade enorme de vendas de carteiras antigas pode ocorrer", disse Edward Moya, analista da Oanda. Após a proibição, o preço do bitcoin chegou a cair mais de 5%.

Bolsa de Nova York

Em um pregão de forte oscilação, a Bolsa de Nova York tentou buscar uma recuperação após começar em queda - e até conseguiu -, mas não a sustentou por muito tempo. No final do pregão, Dow Jones teve apenas ganho marginal de 0,09%, enquanto S&P 500 e Nasdaq caíram 0,15% e 0,03%. Na semana, o ganho acumulado foi de 0,62%, 0,51% e 0,02%, respectivamente.

Bolsas da Europa

Com o novo impasse envolvendo a Evergrande, o mercado europeu devolveu parte dos ganhos conquistados nos últimos dias. O índice Stoxx 600, que concentra as principais empresas da zona do euro, caiu 0,90%, enquanto a Bolsa de Londres teve queda de 0,38%, a de Paris, de 0,95% e a de Frankfurt, de 0,72%. Os índices de Milão, Madri e Lisboa cederam 0,43%, 0,04% e 0,61%. Apesar dos resultados negativos, todos os índices fecham a semana com alta acumulada.

Bolsas da Ásia

Novamente no centro da crise envolvendo a Evergrande, a Bolsa de Hong Kong caiu 1,30%, após o noticiário negativo sobre a empresa voltar a predominar no mercado. Os índices chineses de Xangai e Shenzhen caíram 0,80% e 0,70% cada, enquanto Seul teve baixa marginal de 0,07%. Na contramão, a Bolsa de Tóquio subiu 2,06% na volta de um feriado e Taiwan teve ganho de 1,07%.

Na Oceania, a bolsa australiana seguiu o viés predominantemente negativo do mercado asiático e caiu 0,37%.

Petróleo

Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta, contabilizando o quarto dia seguido de ganhos, diante das perspectivas de aumento na demanda num momento de produção limitada. Com isso, a commodity registra a quinta semana consecutiva de avanços. Hoje, o setor voltou a precificar as perspectivas de melhora da pandemia e o fim das restrições, que devem aumentar a demanda pelo óleo.

O petróleo WTI para novembro fechou em alta de 0,93%, a US$ 73,98 o barril em Nova York, enquanto o Brent para o mesmo mês avançou 1,09%, a US$ 78,09 o barril em Londres. Na semana, o WTI subiu 3,00%, e o Brent, 3,65%. /MAIARA SANTIAGO, GABRIEL BUENO DA COSTA, MATHEUS ANDRADE E SÉRGIO CALDAS

Estadão
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