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EUA aumentam taxa de juros em 0,25 ponto porcentual; dólar se valoriza e Bolsa cai no Brasil

Além do aumento desta quarta-feira, o banco central americano também sinaliza que são esperadas mais duas altas para este ano

13 jun 2018
15h43
atualizado às 18h06
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O Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) elevou a taxa de juros base da economia americana, os Fed funds, em 0,25 ponto porcentual, para a faixa entre 1,75% e 2,0%. A decisão desta quarta-feira, 13, foi unânime (8 a 0) e marca a segunda elevação no ano de 2018. A taxa de desconto também foi elevada em 0,25 ponto porcentual, para 2,50%.

Além do aumento desta quarta-feira, o banco central americano também sinaliza que são esperadas mais duas altas para este ano. A maioria dos dirigentes do Fed prevê que os juros da economia americana chegarão ao final deste ano na faixa entre 2,25% e 2,50%, apontou o gráfico de pontos da instituição divulgado logo após a decisão de política monetária da instituição.

Além do aumento desta quarta-feira, o banco central americano também sinaliza que são esperadas mais duas altas para este ano
Além do aumento desta quarta-feira, o banco central americano também sinaliza que são esperadas mais duas altas para este ano
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil / Estadão

Assim que divulgada, a decisão do Fed causou impactos no Brasil. O dólar à vista reverteu a baixa que mostrava no decorrer da manhã e passou a subir, renovando máximas. Às 15h30, a moeda americana era negociada a R$ 3,733, alta de 0,52%. A Bolsa, também às 15h31, caia 2,34%, aos 71.053,79 pontos.

No entanto, na medida em que o dólar passou a acelerar os ganhos ante o real, o BC anunciou a terceira intervenção do dia, um leilão contratos de swap cambial no valor de US$ 1 bilhão, colocando dinheiro "novo" no mercado. Hoje os três leilões injetaram US$ 4,5 bilhões. Com isso, a moeda arrefeceu a valorização e terminou o pregão perto da estabilidade, em leve alta de 0,03%, cotada a R$ 3,7155.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2019 subiu de 7,155% para 7,230% e a do DI para janeiro de 2020 encerrou a 8,88%, de 8,67% ontem no ajuste. A taxa do DI para janeiro de 2021 terminou em 9,94%, de 9,75%, e a do DI para janeiro de 2023 fechou em 11,35%, de 11,19%. A taxa do DI para janeiro de 2025 subiu de 11,80% para 11,86%.

Mercado de trabalho. Um dos fatores que mais pesaram para o aumento da taxa de juros dos EUA é o mercado de trabalho local. Informações recebidas pelo Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Fed entre a reunião de política monetária de maio e o encontro desta quarta-feira indicam que o mercado de trabalho continuou a se fortalecer e a atividade econômica tem se expandido a um ritmo "sólido", aponta o comunicado da instituição.

"Ganhos de empregos têm sido fortes, na média, em meses recentes, e a taxa de desemprego declinou", afirma o Fed. "Dados recentes sugerem que o crescimento de gastos das famílias acelerou, enquanto o investimento em capital fixo de empresas continuou a crescer fortemente."

A nota do BC americano comenta ainda que, na base de 12 meses, tanto a inflação nominal quanto a inflação excluindo alimentos e energia se aproximaram de 2%, ao passo que indicadores de expectativa de inflação de prazo mais longo mudaram pouco, na média.

Em seu comunicado, o Fed lembra de seu mandato de garantir máximo emprego, com estabilidade de preços.

"O Comitê espera que mais elevações graduais na taxa para os fed funds sejam consistentes com a expansão sustentável da atividade econômica, condições fortes do mercado de trabalho e inflação próxima da meta simétrica de 2% do comitê no médio prazo", diz, acrescentando que os riscos à perspectiva econômica parecem em geral equilibrados.

Diante das condições atuais e das expectativas para o mercado de trabalho e a inflação, os dirigentes do Fed afirmam que decidiram elevar os juros para a faixa entre 1,75% e 2%, mas argumentam que isso não significa um endurecimento excessivo: "A postura da política monetária continua acomodatícia, portanto apoiando as condições fortes no mercado de trabalho e uma volta sustentável à inflação em 2%", diz.

O Fed afirma ainda que, ao determinar o cronograma e o tamanho de ajustes futuros da taxa de juros, avaliará as condições reais e as esperadas para a economia, tendo em vista seus objetivos para inflação em 2%, com máximo emprego. "Essa avaliação levará em conta uma série de informações, incluindo medidas das condições do mercado de trabalho, indicadores de pressão inflacionária e expectativas para a inflação e leituras dos acontecimentos financeiros e internacionais", diz o comunicado.

Mais duas altas. A maioria dos dirigentes do Fed prevê que os juros da economia americana chegarão ao final deste ano na faixa entre 2,25% e 2,50%, apontou o gráfico de pontos da instituição divulgado logo após a decisão de política monetária da instituição.

De acordo com o gráfico, dois dirigentes veem os juros na faixa atual - entre 1,75% e 2,00% - até o fim deste ano. Já cinco dirigentes veem os juros entre 2,00% e 2,25% até 2018, o que equivaleria a mais uma elevação de 0,25 ponto porcentual. No comunicado da reunião de março, seis dirigentes previam que os juros chegariam ao fim do ano nessa faixa.

A principal mudança esteve no apontamento de que sete dirigentes veem os juros na faixa entre 2,25% e 2,50% no fim deste ano, o que equivaleria a mais duas elevações de 0,25 ponto porcentual, totalizando quatro altas em 2018. A mediana das projeções para a taxa dos Fed funds em 2018 subiu de 2,1% para 2,4%. O total de cinco altas no ano é endossado por apenas um dirigente, de acordo com o gráfico de pontos

Em relação a 2019, a mediana das projeções para a taxa dos Fed funds subiu de 2,9% para 3,1%. Entre os dirigentes, quatro acreditam que os juros chegarão ao fim do próximo ano na faixa entre 2,75% e 3,00%, enquanto outros quatro preveem que a taxa ficará entre 3,00% e 3,25%. Mais três dirigentes preveem que as taxas de juros ficarão na faixa entre 3,25% e 3,50% no fim do próximo ano.

Para 2020, a mediana das projeções para a taxa dos Fed funds se manteve em 3,4%, enquanto a mediana das estimativas para os juros no longo prazo permaneceu inalterada em 2,9%.

Estadão
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