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Estudo indica caminhos para empresas de energia avançarem em metas de descarbonização

Rede Brasil do Pacto Global, criada em 2000 pelo ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan, propõe, até 2030, ampliar de 46,1% para 48% a participação da energia renovável na matriz energética e instalar 80 mil eletropostos

23 out 2020
13h49
atualizado às 18h41
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RIO - Depois dos compromissos ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês) ganharem importância no mercado financeiro, se tornando um dos parâmetros para decisões de investimentos, o Brasil deve voltar os olhos para outra sigla igualmente difundida no mundo inteiro: a SBT (Science Based Targets), ou metas baseadas na ciência, uma forma de garantir que as iniciativas ambientais tomadas pelas empresas sejam realmente eficientes para cumprir o Acordo de Paris, que visa a conter o aquecimento global abaixo de 2 graus Celsius.

Posto de recarga ultrarrápida da EDP para carros elétricos em Caraguatatuba (SP).
Posto de recarga ultrarrápida da EDP para carros elétricos em Caraguatatuba (SP).
Foto: Daumer De Giuli/Tripé Online Mkt Divulgação / Estadão

Com objetivo de elaborar metas claras para o setor elétrico brasileiro, a Rede Brasil do Pacto Global - órgão criado no ano 2000 por Kofi Annan, então secretário-geral das Nações Unidas - lançou o estudo "Integração dos ODS no Setor Elétrico Brasileiro: Indicadores e Metas", que estabelece compromissos para as empresas assumirem responsabilidades locais de redução de emissões de gases efeito estufa (GEE).

"Se fala muito em ESG, e estamos falando da mesma coisa. Só que a ESG é da perspectiva do setor financeiro e a sustentabilidade é o jeito que a empresa tem para lidar com a sustentabilidade. O estudo tenta entender os impactos negativos e positivos do setor para fortalecer os positivos, e, na sequência, reduzir os danos", explica Carlo Pereira, diretor executivo da Rede Brasil do Pacto Global.

Dos 17 Objetivos de Desenvolvimento de Sustentabilidade (ODS) do Acordo de Paris, que são interligados, o estudo identificou cinco que devem ter a adesão do setor elétrico para contribuir com o esforço global. Entre os cinco ODS escolhidos, a adesão ao SBT é um dos mais relevantes e já foi adotado por cinco empresas do segmento no Brasil: EDP, Enel, Engie, AES e Iberdrola.

Foram selecionados para o setor elétrico os objetivos 7 (Energia acessível e limpa); 8 (Trabalho decente e Crescimento Econômico); 9 (Indústria, Inovação e Infraestrutura); 11 (Cidades e comunidades sustentáveis) e 13 (Ação contra a mudança global do clima), onde se encaixa a SBT.

"A ambição desse estudo é que, até 2023, 15 empresas tenham essas metas baseadas na ciência aprovadas. Isso representa 40% da energia gerada no Brasil", informa Pereira, destacando a urgência da adoção de medidas mais concretas. Hoje essa adesão representa 14% da energia gerada no País. "Não tem mais tempo para esperar, precisamos que essas ações gerem resultados", completou.

Além de mais empresas com metas baseadas na ciência, o estudo propõe garantir até 2030 acesso à eletricidade para 100% da população (hoje é de 99,8%); subir de 46,1% em 2019 para 48% em 2030 o peso da energia renovável na matriz energética; obter 5% de ganho em eficiência energética até 2030; zerar o número de mortes entre trabalhadores do setor (foram 28 em 2019); instalar até 80 mil eletropostos até 2030; reduzir as perdas não técnicas de 15% (2018) para 13% em 2030; e ampliar o incentivo a cidades inteligentes.

De acordo com Pereira, na 26.ª Conferência de Partes das Nações Unidas (COP26), prevista para o final de 2021, o foco será a comercialização de crédito de carbono e o chamado "race to zero" (corrida para o zero), para zerar emissões de GEE até 2050. Para isso, alerta, são necessárias medidas concretas. "A gente não quer voltar àqueles relatórios de sustentabilidade de antigamente, que pareciam mais um álbum de fotografias do que um relatório. A gente quer um tratamento efetivo e sério", afirma.

Para a EDP Brasil, uma das apoiadoras do estudo e líder no País em mobilidade elétrica, com ambições de crescimento também na energia solar, a base científica é fundamental para estabelecer as metas de descarbonização, principalmente após a pandemia de covid-19.

"O estudo é um passo inicial para mobilizar e sensibilizar as empresas para os ODS. A visão de poucas empresas pode influenciar as outras e a gente pode ver daqui para frente 100% das empresas de energia do Brasil baseadas na ciência", diz Dominic Schmal, gestor executivo de Sustentabilidade da EDP Brasil.

A empresa inaugurou esta semana no litoral de São Paulo o primeiro eletroposto de recarga ultrarrápida da América do Sul. No ano passado, a EDP global aderiu a metas de SBT e este ano foi a vez da EDP Brasil reforçar seus compromissos, anunciando que vai se tornar 100% renovável no País até 2030 e livre de carvão. A outorga da única térmica a carvão da empresa vence em 2027.

"O Brasil tem as maiores vantagens na questão da economia verde. Nossa proposta é que haja mais metas com compromisso baseado na ciência", conclui Schmal, que aposta na eletrificação como caminho para a descarbonização no setor de transporte, responsável por um terço das emissões globais.

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