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'Enquanto se movimentar dinheiro, agências serão necessárias', diz presidente do Sicoob

Segundo executivo, pequeno comerciante ainda desconta cheque e precisa de ponto físico

2 ago 2021 06h06
| atualizado às 10h20
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Em um momento em que os grandes bancos privados enxugam o número de agências, na busca por redução de custos e para tirar maior proveito da digitalização de serviços, o Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob) anda na direção contrária. A entidade passou a ocupar a segunda colocação no ranking do Banco Central em rede física de atendimento, atrás apenas do Banco do Brasil, com 3.578 pontos - 165 a mais do que há um ano. "Enquanto houver resíduos de pagamentos que passam por meios físicos, alguém precisará estar lá", comenta o presidente do Sicoob, Marco Aurélio Almada.

Como foi a atuação do Sicoob na pandemia?

Olhamos muito para o crédito rural, para o pequeno proprietário, linha que crescemos 45%. Sentimos que era um setor que precisava de uma atenção especial, e foi justamente onde crescemos mais, onde o crédito foi mais negligenciado. Atuamos muito também nas linhas para as micro e pequenas empresas. E outro segmento em que atuamos muito foi em crédito para pessoa que não tem consignação em folha de pagamento. Todo banco disputa o crédito consignado, mas não há crédito para quem não consegue comprovar renda.

E o olhar regional?

Temos olhado muito municípios com menos de 100 mil habitantes, algo que voltou com força na pandemia. Lá atrás esses locais eram atendidos por bancos públicos. O coorporativismo tem de atuar nessas lacunas que surgem no arranjo do sistema financeiro.

Essas lacunas cresceram na pandemia?

Na verdade, todas as vezes que se aumenta a sensação de riscos, aumentam as incertezas e os bancos diminuem o ritmo de crédito e isso gera um problema na vida das pessoas.

Por que o Sicoob tem aumentado sua rede física?

O canal digital tem crescido de forma muito acelerada, e isso ocorre também na cooperativa. No entanto, se existe 'nota' (cédula de dinheiro) no meio da transação, a operação não pode fechar apenas no canal digital. O pequeno comerciante ainda desconta muito cheque, por exemplo, e precisa do ponto físico. Enquanto tivermos resíduos de pagamentos que passam por meios físicos, é importante estarmos lá. À medida que os bancos saem, somos nós que suprimos essa lacuna. Fora isso, o ponto físico também ajuda a manter a carteira com pontualidade (de pagamento).

Estadão
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