PUBLICIDADE

Empresas correm para criar metas de sustentabilidade e garantir atenção do investidor

Das 13 emissões de títulos de dívida que companhias brasileiras pretendem levar ao mercado externo até novembro, pelo menos metade carrega compromissos relacionados à sustentabilidade

24 set 2021 16h23
ver comentários
Publicidade

Pelo menos metade das até 13 emissões de títulos de dívida (bonds) que empresas brasileiras estudam levar ao mercado externo até novembro carrega compromissos relacionados à sustentabilidade. O número não é maior porque as demais ainda não estão prontas para entregar metas ambientais ou sociais, que envolvem muitas conversas dentro das companhias para além da área financeira, como de sustentabilidade, operacional, marketing e conselhos. Mas estão se preparando.

Das 38 emissões de bonds brasileiros feitas no exterior este ano, 42%, ou 16, foram ESG, com metas focadas nas boas práticas ambientais, sociais e de governança. Já é mais do que o dobro das sete de 2020 e corresponderam a 22% do total de captações realizadas no mercado de dívida por emissores brasileiros.

A vantagem de uma emissão atrelada a metas ESG começa no custo, mas já está evidente também na demanda. Os fundos não especializados no tema têm dado preferência para as empresas atentas à necessidade de reduzir o impacto de sua produção no meio ambiente ou de aumentar a diversidade de suas lideranças.

"Os riscos relacionados aos aspectos ambientais e sociais integram as matrizes de análises, ao lado das análises de risco de crédito e governança que já faziam das companhias. Temos visto muitos fundos que se interessam menos pelo selo e mais pelo compromisso da empresa com o ESG", observa o especialista em ESG da área de mercado de capitais do Santander, Alex Sciacio.

Para ele, o Acordo de Paris, por meio do qual o setor privado passou a ser parte da equação para resolver a questão do aquecimento global, é um dos motivos pelos quais os olhos de investidores e empresas estão mais atentos à sustentabilidade. A mudança de geração entre os gestores dos fundos, com uma visão mais consolidada de consciência climática, também é apontada por Sciacio.

A participação dos fundos tradicionais, que normalmente são muito grandes, na disputa pelos bonds sustentáveis tem trazido um volume maior de ordens para as ofertas, acrescenta o superintendente da área de mercado de capitais do Santander, Miguel Diaz. "Esses gestores têm colocado bonds ESG em fundos que não necessariamente são dedicados ao tema", acrescenta.

Exemplo disso é que, para as quatro emissões de bonds feitas por empresas brasileiras em setembro, somando US$ 2 bilhões, a demanda chegou perto de cinco vezes ao ofertado, na média, ou acima de US$ 9 bilhões. Foram emissões de Suzano, Movida, Rumo e B3. A Suzano estreou a categoria de emissores brasileiros de bonds ESG em setembro do ano passado e já fez quatro captações com o tema, em um total de US$ 2,750 bilhões.

"Observamos que, de forma geral, todos estão mais conscientes, com investidores com análises mais holísticas", pontua a especialista em ESG da área de renda fixa do Itaú BBA, Luíza de Vasconcellos. Ela diz que a concentração de emissões ESG nos primeiros 15 dias de setembro revela o crescente número de companhias que têm se dedicado a desenvolver uma agenda para se estabelecer na liderança dessas iniciativas aos olhos dos investidores.

Vasconcellos observa também que essa corrida está relacionada à percepção de que os critérios de enquadramento ao tema ESG estão ficando mais rígidos, à medida que mais títulos desse tipo vão surgindo no mercado, criando padrões mais elevados de sustentabilidade nos diferentes setores econômicos.

"O movimento que já vemos é de mudança nas réguas das empresas que dão parecer de sustentabilidade às emissões, para uma direção mais criteriosa. Os ratings estão sendo deslocados para baixo. É um movimento natural, já que com mais empresas os critérios de análise tende a ser mais rígidos", diz.

Estadão
Publicidade
Publicidade