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Em Washington, Guedes diz que FMI 'vai errar de novo' sobre o PIB brasileiro

Na terça-feira, o Fundo Monetário Internacional reduziu a projeção de crescimento do PIB do País para 1,5% em 2022; ministro participa nos EUA de reuniões do próprio FMI e do Banco Mundial

13 out 2021 23h14
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BRASÍLIA - Confiante na projeção de que o Brasil vai crescer 2,5% em 2022, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse hoje que o Fundo Monetário Internacional (FMI) "vai errar de novo" ao estimar um avanço bem mais tímido do PIB brasileiro no ano que vem, de apenas 1,5%. Ele atribuiu o "erro" na estimativa ao "barulho político" em torno de medidas do governo e avanço das reformas.

Guedes participou de um evento promovido pelo Atlantic Council, em Washington (EUA). O ministro está na capital americana participando de reuniões do FMI e do Banco Mundial.

No ano passado, o Fundo chegou a prever queda de 9,1% no PIB por causa da pandemia de covid-19, mas o resultado foi menos negativo (recuo de 4,1%), graças a programas que garantiram transferências de renda a vulneráveis e manutenção de empregos.

Para Paulo Guedes, 'erro' na estimativa do FMI para o PIB do Brasil é resultado do 'barulho político'.
Para Paulo Guedes, 'erro' na estimativa do FMI para o PIB do Brasil é resultado do 'barulho político'.
Foto: José Cruz/Agência Brasil - 27/9/2021 / Estadão

Nas projeções para 2022, o FMI se soma a economistas que também esperam um crescimento mais tímido no ano que vem. Na mediana do Boletim Focus, coletado pelo Banco Central, a expectativa está em alta de 1,57%. A equipe econômica tem criticado as previsões.

"O FMI vai errar de novo, eles continuam fazendo isso. O crescimento será de mais de 2% em 2022", disse Guedes. "Temos confiança que cresceremos o dobro do que o FMI está prevendo", acrescentou o ministro em outro momento de sua fala.

Para ele, o "erro" do FMI é explicado pelo "barulho político". Guedes tem citado a expressão constantemente em suas falas públicas para tentar separar conflitos das medidas concretas. "Os perdedores continuam gritando, e nós, trabalhando", disse.

Reformas

O ministro da Economia disse ainda acreditar que, até o fim do ano, a reforma tributária e a reforma administrativa serão aprovadas, além da confirmação das privatizações da Eletrobras e Correios.

Em evento do Atlantic Council, o ministro disse que continua conversando com os Estados Unidos para estreitar as relações e mandou um recado aos investidores estrangeiros: "Eu diria: confie no Brasil. Estamos reduzindo os impostos das empresas, reduzindo as barreiras para comércio, abrindo a economia. Estamos simplificando tudo", completou.

O ministro afirmou que o auxílio emergencial proporcionou a maior redução da pobreza já vista nos últimos 40 anos. Por causa da pandemia de covid-19, o governo desembolsou cerca de R$ 300 bilhões em 2020 para pagar uma ajuda mensal a vulneráveis. O benefício foi retomado em abril deste ano, num formato mais enxuto e com valores menores.

"O Brasil gastou duas vezes mais que a média dos países emergentes em assistência social. Foi o maior impacto na pobreza que já tivemos", disse Guedes.

Para o ministro, transferências diretas de renda são solução para pobreza e desigualdade. "Claro que temos que investir em educação e saúde (também). Quanto mais cedo investimos nas pessoas, mais chances de igualdade (de renda)", afirmou.

Guedes disse ainda que o pagamento do auxílio acabou alimentando a aceleração da inflação, principalmente em itens alimentícios e de habitação. Mas ele ressaltou que o Brasil aprovou a autonomia do Banco Central e também que o fenômeno inflacionário tem sido observado em todo o mundo.

Estadão
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