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Economia da Alemanha desacelera em 2019

15 jan 2020
09h00
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Em meio ao Brexit, disputa comercial entre EUA e China e crise na indústria automobilística, país registra crescimento anual de apenas 0,6%. Pressão por mais investimentos do Estado deverá aumentar.A economia da Alemanha desacelerou em 2019 e registrou alta de apenas 0,6%, bem abaixo dos crescimentos de 2,5% em 2017 e de 1,5% em 2018, anunciou nesta quarta-feira (15/01) o Departamento Federal de Estatísticas (Destatis) do país, com base em dados preliminares.

Construção civil ajudou a manter o PIB alemão positivo em 2019
Construção civil ajudou a manter o PIB alemão positivo em 2019
Foto: DW / Deutsche Welle

Economistas apontam as incertezas causadas pelo Brexit e pelo conflito comercial entre os Estados Unidos e a China, bem como a crise no setor automobilístico, como os principais fatores para a desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB).

O crescimento se deu graças ao consumo, que registrou alta de 1,6%, e à boa conjuntura no setor da construção civil, com alta de 3,8%. Os gastos e investimentos do Estado também aumentaram de um ano para o outro.

"Que a economia alemã ainda tenha conseguido crescer deve-se ao forte consumo interno e à construção civil", comentou o economista Claus Michelsen, do instituto econômico DIW.

Apesar de menor, a alta de 2019 foi a décima consecutiva e encerrou uma "década dourada" de crescimento para a economia alemã, iniciada logo após a crise econômica mundial de 2008 e 2009. É o maior período de crescimento econômico desde a Reunificação.

A década que se inicia pode não ser tão positiva. Economistas veem elevados riscos na continuidade da guerra comercial entre a China e os EUA, nas políticas protecionistas adotadas por outros países, na crescente concorrência da China, no envelhecimento da população alemã e na crise instalada na indústria automobilística, que tenta a duras penas fazer a transição dos motores a combustão para os carros elétricos.

O baixo crescimento do PIB em 2019 deve inflar o debate sobre os investimentos do Estado, vistos pela oposição e por setores do Partido Social-Democrata (SPD), que está no governo, como necessários para estimular a conjuntura.

O governo alemão, porém, se mantém firme na decisão de não fazer novas dívidas e de gastar apenas o que arrecada. Essa posição é defendida pelo ministro das Finanças, Olaf Scholz, que é do SPD.

Em 2019, governo federal, estados e municípios tiveram um superávit orçamentário de 49,8 bilhões de euros, equivalente a 1,5% do PIB. No ano anterior, o excedente havia sido de 62,4 bilhões de euros, ou 1,9% do PIB.

AS/dpa/rtr/afp

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