PUBLICIDADE

E se a gente não pedisse nada de Natal?

Você conhece alguém que chegou nessa época do ano e disse que não queria nada de Natal?

23 dez 2021 06h30
ver comentários
Publicidade
O Natal chegou: como foi o seu ano?
O Natal chegou: como foi o seu ano?
Foto: Lynda Hinton / Unsplash

Eu sei que o texto corre o risco de resvalar para o vácuo das diferenças de crenças ou pior: virar resmungo de branco privilegiado com seus white people problems. Mas ainda assim, arrisco:

Você conhece alguém que chegou nessa época do ano e disse que não queria nada de Natal? Ou algum desejo de algo melhor para o ano que vem?

Em outras palavras, você conhece alguém que disse algo como: "olha, esse ano foi demais, tomara que o próximo seja igual!"

É claro que os dois últimos anos não nos dão muita margem para isso, mas mesmo se formos usar esse recorte bienal, dá para tirar algumas conclusões menos pessimistas.

E quero também pedir uma licença para dizer que quando muito, muito jovem, eu tinha alguns indicadores para avaliar como foi o ano: grana, vida amorosa e o Palmeiras.

E é mais ou menos isso. Claro que eu gostaria de admitir que de lá para cá as coisas se sofisticaram e eu passei a me preocupar com a paz mundial, a cura de alguma coisa ou sentir vontade de cantar "volver a los 17" porque o rapaz do Chile mais novo do que eu ganhou a eleição, mas não vou mentir.

E tem a saúde, mas tirando a autodestruição que promovo e preciso colocar data para parar, ter tomado as duas doses da vacina também injetaram uma certa dose de otimismo em mim, nesse 2021.

Mas então, tudo se resume a ter ganho mais dinheiro, ter uma vida amorosa legal e o Palmeiras.

Bom, o Palmeiras é um capítulo à parte e a minha dificuldade nessa área é convencer o meu filho de 14 anos que não é assim a vida do palmeirense não, duas Libertadores no mesmo ano? Tá louco?

Mas tem coisas que você não consegue explicar, só quem sentiu na pele um time com Abelardo, Buião, Bandeira, Darinta, Ditinho Souza e outros, sabe o que é ser Palmeirense DE VERDADE!

Deixando o Palmeiras de lado e esclarecendo que longe de estar nadando em dinheiro, mas experimentando um lado da minha profissão pós-transição de carreira que passa longe de ser desagradável, a vida amorosa vai muito melhor do que eu poderia supor.

Então, o quão "gratiluz" abraçador de árvore eu seria se dissesse que esse ano, de Natal, não quero nada, apenas... agradecer?

Seria um pouco egoísta, levando em conta os amigos e amigas que eu perdi em 2021, para o Covid e outras causas e que me fazem muita falta?

Enfim, acho que no final das contas, um agradecimento por ter conseguido evoluir, mantendo razoavelmente a sanidade e ainda conhecido mais gente bacana no meio dessa jornada chamada 2021 me parece justo.

E um jeito de deixar a barra do sarrafo lá em cima, pois querer um ano igual a esse não significa conformismo e muito menos aceitar menos.

Significa trabalhar duro e seguir fazendo o que precisa ser feito, para conseguir cumprir esse desejo.

De um Feliz Ano Velho, que já se despede e deixa em mim um pouco de esperança!

(*) Randall Neto é escritor, produtor de conteúdo e copywriter.

Homework Homework
Publicidade
Publicidade