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Dólar sobe 0,86% e fecha a R$ 3,85 com temor de atraso na Previdência

Declarações de autoridades brasileiras nos Estados Unidos elevaram a cautela entre investidores; a Bolsa caiu 1,25% nesta quinta-feira

11 abr 2019
13h13
atualizado às 18h20
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O real foi a moeda com pior desempenho ante o dólar nesta quinta-feira, 11, com o aumento da percepção nas mesas de câmbio de que a tramitação da reforma da Previdência pode demorar mais que o esperado e a alta da moeda americana no exterior.

Se na quarta-feira, 10, as declarações da equipe econômica em Nova York ajudaram a melhorar o humor dos investidores, levando o dólar a R$ 3,82, desta vez os parlamentares azedaram este clima e a moeda subiu 0,86%, para R$ 3,8564.

No mercado de ações, o índice Bovespa teve sua terceira queda consecutiva, que resultou mais uma vez da falta de confiança no andamento da reforma da Previdência sem grandes percalços. Em terreno negativo desde a abertura, o índice terminou o dia aos 94.754,70 pontos, com perda de 1,25%. Em três sessões seguidas de baixa, o índice já perdeu 2,69%. Os negócios somaram R$ 11,3 bilhões.

Primeiro foram os partidos do Centrão, que ameaçaram obstruir a votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do parecer da admissibilidade da reforma da Previdência, previsto para a próxima quarta-feira, dia 17.

O argumento dos partidos é que eles querem votar primeiro na CCJ a PEC do Orçamento impositivo, que voltou para a Câmara depois de sofrer modificações no Senado. Mas a leitura dos analistas políticos é que esta é apenas uma desculpa dos deputados para mostrarem insatisfação com o fato de Jair Bolsonaro não ter indicado um nome dos partidos aliados para o Ministério da Educação, optando pelo economista Abraham Weintraub.

A intensificação das perdas ocorreu em meio a afirmações do ministro da Economia, Paulo Guedes, numa apresentação em Washington. Ele disse que o presidente Jair Bolsonaro "não está apaixonado" pela reforma da Previdência, "mas entende que é importante".

No início da tarde foi a vez do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), dizer em evento com investidores em Nova York que o governo precisa "melhorar o encaminhamento" da reforma. "Para a reforma andar, falta o governo organizar um diálogo com o Parlamento", disse ele. Com isso, o dólar foi na máxima, batendo em R$ 3,86. O diretor de tesouraria de um banco destaca que o mercado passou a embutir hoje nos preços a possibilidade de atrasos na CCJ para depois do feriado da Semana Santa.

Após Maia, foi a vez do líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), admitir a possibilidade de que a reforma da Previdência seja aprovada no início do segundo semestre pelo Senado. Para ele, o ideal é que a medida passe até junho em ambas as Casas, mas ele ressaltou que não quer atropelar prazos.

Na avaliação do sócio e gestor da Absolute Invest, Roberto Serra, os eventos recentes mostram que quando a equipe econômica precisa mostrar serviço, a coisa vai bem, mas quando é com os parlamentares, a questão é mais complexa. Como o mercado está muito sensível ao noticiário político, ele destaca que o câmbio deve seguir instável nos próximos dias, oscilando ao sabor das declarações do governo e dos deputados.

No exterior, o dólar operou em alta durante todo dia, com a divulgação do índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) acima do previsto. Além disso, os pedidos de auxílio-desemprego atingiram o menor nível desde outubro de 1969. Para o economista-chefe do banco MUFG, Christopher Rupkey, estes indicadores jogam "água fria" nas expectativas de que pode haver corte de juros este ano pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano).

Na Bolsa, as quedas foram praticamente generalizadas entre as principais ações do mercado, que também sofreram influência do cenário internacional. Com os preços do petróleo em queda, os papéis da Petrobrás fecharam com perdas de 1,30% (ON) e de 2,71% (PN). No setor financeiro, os destaques do dia foram Itaú Unibanco (-2,32%) e B3 ON (-2,24%).

Estadão
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