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Bolsa fecha em alta de 1,3% e dólar cai quase 2% com chance de mais estímulos nos EUA

Expectativa é que Joe Biden anuncie ainda nesta quinta novos incentivos avaliados em US$ 2 trilhões, que podem ajudar na recuperação da economia americana e mundial

14 jan 2021
10h55
atualizado às 18h50
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A possibilidade de mais estímulos econômicos nos Estados Unidos, além da manutenção da política de juros baixos, deu novo ânimo aos mercados nesta quinta-feira, 14, o que também favoreceu pos ativos locais. No câmbio, o dólar fechou com baixa de 1,90%, a R$ 5,2097, perto da miníma do dia. Já a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, fechou com alta de 1,27%, aos 123.480,52.

Segundo informou a CNN no início da madrugada, Biden pode detalhar sua proposta de pacote fiscal para os EUA, avaliada em US$ 2 trilhões, nesta quinta-feira. A notícia animou os mercados, que apostam em novos estímulos como a chave para a recuperação da economia americana e, consequentemente, mundial.

A diretora de moedas da gestora americana BK Asset Management, Kathy Lien, observa que a expectativa é grande pelo anúncio dos estímulos de Biden. "Quanto maior o pacote, maior tende a ser o rali nas moedas de risco." Ela, porém, alerta que a aprovação das medidas, mesmo com o Congresso nas mãos dos democratas, pode não ser tão simples, o que abre espaço para frustração e realização nos mercados de bolsas e moedas.

Hoje, em Nova York, apesar de bater recorde de cotação intradia, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq realizaram lucros e caíram 0,22%, 0,38% e 0,12% cada.

Já o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, afirmou nesta quinta que o "o momento de aumentar juros não está nem um pouco próximo", o que contribui para reforçar a perspectiva de depreciação da moeda americana ante mais estímulos fiscais a caminho no governo Biden. Por outro lado, ele admitiu ser "possível que a recuperação da economia" resulte em "aumento da inflação".

O noticiário dos EUA foi um contraponto positivo a mais um dia de noticiário carregado pela covid-19, com o Amazonas em calamidade pela escassez de oxigênio - e perspectiva de ponte aérea militar para transferência de doentes a outros estados. Nesse cenário, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que voltou a cobrar a apresentação de documentos necessários para liberar o uso emergencial da vacina de Oxford/AstraZeneca e da Coronavac. Os imunizantes serão distribuídos no Brasil, respectivamente, pela Fiocruz e pelo Instituto Butantan.

Contribuiu também a expectativa de que o presidente do Banco do Brasil, André Brandão, venha a permanecer no cargo, após o ruído de que teria desagradado ao presidente Jair Bolsonaro por buscar mais eficiência para a instituição, com fechamento de agências e plano de demissão voluntária. Assim, após perda de quase 5% no dia anterior, BB ON fechou em leve baixa de 0,24%. "Caso a saída de Brandão se confirmasse, seria sinal muito negativo não só para as ações do BB como para todo o mercado, com esta ingerência política", diz André Perfeito, economista-chefe da Necton Investimentos.

Ao fim, o Ibovespa mostrou hoje alta de 1,27%, aos 123.480,52 pontos, com ganhos bem distribuídos por commodities Vale ON, com alta de 1,64%, Petrobrás, com 1,03%, bancos com Itaú PN em alta de 2,97%, siderurgia, com Gerdau PN subindo 4,17%.

Câmbio

O dólar teve o terceiro dia seguido de queda, fechando a quinta-feira na menor cotação de 2021. A moeda caiu desde os negócios da manhã, embalada por fluxo externo, para Bolsa e renda fixa, e expectativa de anúncio na noite de hoje do novo pacote fiscal de Joe Biden. Pela tarde, a queda da moeda americana no exterior e aqui se acelerou em meio a declarações do presidente do Fed, Jerome Powell. Com isso, questões domésticas ficaram hoje em segundo plano.

No entanto, antes do anúncio de que o Fed vai manter os juros baixos, o dólar já cedia aqui e nos emergentes com a expectativa do pacote fiscal de Biden. O DXY, índice que mede o comportamento da moeda americana ante moedas fortes, chegou a subir mais cedo, mas passou a cair e bateu mínimas com o presidente do Fed, ajudando o dólar a cair abaixo de R$ 5,20 aqui.

No mercado doméstico, as captações prosseguem, hoje com as operações da Marfrig e Simpar, e nas mesas de operação, o comentário foi que estrangeiros seguiram vindo para Bolsa e, nesta quinta, também para o leilão do Tesouro, com o lote de 25 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) integralmente vendido. O dólar futuro para fevereiro fechou com queda de 1,99%, a R$ 5,1980./ LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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Estadão
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