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Dólar fecha perto dos R$5,60 com temor de desrespeito a teto de gastos

19 out 2021 17h15
| atualizado às 17h42
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Por Luana Maria Benedito

Notas de dólares dos EUA
07/11/2016
REUTERS/Dado Ruvic
Notas de dólares dos EUA 07/11/2016 REUTERS/Dado Ruvic
Foto: Reuters

SÃO PAULO (Reuters) -O dólar saltou para perto dos 5,60 reais nesta terça-feira, registrando seu maior patamar para encerramento desde meados de abril, evidenciando a forte reação negativa do mercado à intenção do governo de colocar parte do pagamento do benefício que vai substituir o Bolsa Família fora do teto de gastos.

O dólar à vista subiu 1,35%, a 5,5956 reais na venda, máxima para fechamento desde o dia 15 de abril deste ano (5,6276). No pico da sessão, alcançado pouco depois das 16h (de Brasília) o dólar foi a 5,6131 reais, alta de 1,67%. Entre as principais moedas globais, o real teve, de longe, o pior desempenho contra o dólar nesta terça-feira.

Na B3, o dólar futuro tinha alta de 1,38%, a 5,6015 reais.

O governo cancelou o anúncio do programa social que tem elevado a incerteza entre os agentes do mercado, o Auxílio Brasil, marcado para esta tarde, segundo a assessoria do Ministério da Cidadania. Mais cedo, uma fonte com conhecimento direto do assunto disse à Reuters que o valor pago pelo governo em transferência direta de renda à população de baixa renda em 2022 será de 400 reais, com parte dos pagamentos ficando fora do teto fiscal.

Ricardo Gomes da Silva, superintendente da Correparti Corretora, disse em nota que "a percepção do aumento do risco fiscal, potencializado pelo lançamento do benefício social, deteriora a confiança dos investidores, que voltaram a vender o Brasil, reforçando posições compradas em ativos de segurança, como a moeda norte-americana".

Carlos Duarte, planejador financeiro pela Planejar, foi na mesma linha: "Isso é mais endividamento para o Estado, e o mercado está com medo de haver uma piora na situação fiscal", disse à Reuters.

Duarte ressaltou que a sinalização recente do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), de que o momento atual demandaria priorizar as necessidades da população mais vulnerável em detrimento do teto de gastos e da responsabilidade fiscal, já não havia agradado os investidores.

Com os persistentes riscos domésticos somando-se a um ambiente global cada vez mais arisco para ativos considerados arriscados, à medida que os mercados antecipam suas apostas para aperto monetário nas principais economias, nem mesmo a intervenção do Banco Central conseguiu segurar o dólar nesta terça-feira.

Pela manhã, a autarquia vendeu 500 milhões de dólares no mercado à vista em leilão, na primeira operação do tipo desde março.

Vários especialistas têm ressaltado que o Banco Central não tem o poder, nem a intenção, de conter o patamar da moeda norte-americana, e apenas tenta fornecer liquidez aos mercados e conter distorções no comportamento cambial.

"O que está acontecendo é o investidor estrangeiro fugindo do país", disse Duarte, da Planejar, ressaltando que o BC não tem como controlar essa tendência.

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