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Dólar emenda 2ª semana de ganhos com ambiente local conturbado e expectativa por BCs

17 set 2021 18h00
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O dólar fechou em alta contra o real nesta sexta-feira, com investidores mais uma vez evitando exposição antes do fim de semana e de dias que terão como destaque reuniões de política monetária pelo mundo, inclusive no Brasil e nos EUA.

Cédula de dólar dos EUA
22/06/2017
REUTERS/Thomas White
Cédula de dólar dos EUA 22/06/2017 REUTERS/Thomas White
Foto: Reuters

Ainda que tenha fechado a sessão mais caro, o dólar ficou a uma boa distância das máximas do dia, quando foi acima de 5,34 reais, passada parte da reação inicial ao decreto do presidente Jair Bolsonaro que elevou IOF para custear o aumento do valor do novo Bolsa Família --movimento visto no mercado como eleitoreiro.

"A medida, que pegou o mercado de surpresa, está sendo digerida por investidores e, antes de mais nada, coloca em evidência as dificuldades do governo em aprovar fontes de financiamento permanentes para o seu novo programa social", disse em nota Victor Beyruti, que integra a equipe econômica da Guide.

O dólar à vista subiu 0,42%, a 5,2875 reais, máxima desde o último dia 8 (5,3236 reais).

No pico do dia, foi a 5,348 reais (+1,57%), depois de na mínima tocar 5,2516 reais (-0,26%).

Em meio ao intenso noticiário político, operadores terminaram a semana já em modo espera por decisões de política monetária dos próximos dias, com destaque para as reuniões dos bancos centrais brasileiro e norte-americano.

Do lado doméstico, o foco é saber se o BC manterá ritmo forte de alta de juros, o que ajudaria a taxa de câmbio. O Credit Suisse elevou de 8,25% para 9,75% a expectativa para a taxa Selic terminal em 2022.

Nos EUA, a atenção está voltada para se o Fed dará indícios sobre quando cortará a oferta de dinheiro barato em curso desde o ano passado --o que reduziria a disponibilidade de dólares, exercendo pressão de alta na moeda.

Em relatório, estrategistas do Citi mantiveram recomendação "overweight" (acima da média) para o real, bem como para divisas de mercados emergentes, citando que no caso brasileiro a comunicação do Banco Central continua "hawkish" (inclinada a mais altas de juros), o que deve seguir como o principal determinante para o câmbio no curto prazo.

Na semana, o dólar avançou 0,37%, evitando uma correção mesmo depois de ter saltado 1,62% na semana anterior --quando o mercado sentiu o baque da escalada da crise político-institucional após o 7 de Setembro.

Não por acaso, o dólar fechou nesta sexta no maior patamar desde o dia 8, quando os preços dos ativos reagiram violentamente à deterioração da perspectiva local, antes de algum ajuste na sessão seguinte com a divulgação de carta à nação pelo presidente Bolsonaro.

Em meio ao clima mais arisco, o dólar sobe em setembro 2,23%. Em 2021, a cotação se valoriza 1,85%. A expectativa é que a volatilidade cambial se mantenha, especialmente adentrando 2022, o que pode bater na economia real --o que pioraria a avaliação para a taxa de câmbio.

A gestora Rio Bravo baixou suas projeções para o crescimento da economia em 2021 e 2022, argumentando que o cenário econômico brasileiro não deve melhorar de forma "considerável" até o fim do ano que vem, sem perspectiva de alívio "real" no campo político e com a proximidade das eleições presidenciais.

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