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Dólar cai quase 1% e Bolsa sobe 0,7% após mudança no tom de dirigentes do BC dos EUA

Dirigentes do Federal Reserve, que vinham sinalizando a necessidade de um aperto já para 2022 nos estímulos, disseram hoje que ainda não é o momento de fazer mudanças bruscas na política monetária americana

21 jun 2021 15h01
| atualizado às 22h20
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Os ativos locais tiveram um dia de recuperação nesta segunda-feira, 21, em meio ao reforço de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de que a política monetária dos Estados Unidos seguirá sem mudanças por mais algum tempo. Por aqui, a Bolsa brasileira (B3) subiu 0,67%, aos 129.264,96 pontos, enquanto o dólar caiu 0,91%, a R$ 5,0227.

Declarações do presidente da regional de St. Louis, James Bullard, tiveram repercussão ainda maior, na medida em que ele

moderou o tom do que havia falado na sexta-feira, quando previu alta de juros ao final de 2022. Bullard declarou hoje que os dirigentes do Fed "estão apenas no início" do processo de discutir a gradual redução nas compras de títulos públicos ("tapering") e ainda "levará algum tempo" até esse processo ser estabelecido e colocado em andamento.

O dirigente não vota este ano nas reuniões de política monetária, mas na sexta-feira estressou os mercados ao falar da possibilidade de alta de juros já ao final de 2022, enquanto a maioria do Fed prevê em 2023. Para a economista da corretora americana Stifel, Lindsey Piegza, Bullard tem dado as declarações mais em favor da retirada dos estímulos. Por isso, não seria surpresa hoje se ele reforçasse esta avaliação hoje. Contudo, a mudança de tom nesta segunda ajudou a melhorar os mercados, fazendo o dólar devolver ganhos da quinta e sexta-feira.

Na tarde de hoje, outro dirigente regional, John Williams, presidente do Fed de Nova York, disse que a economia dos EUA ainda não avançou o suficiente para que o Fed ajuste a sua política monetária.

As atenções se voltam agora para a participação amanhã, 22, do presidente do Fed, Jerome Powell, em audiência no Congresso em Washington. No Brasil, há a perspectiva para a divulgação da ata da reunião do Copom. Nos dois casos, a perspectiva é avaliar o grau da mudança de discurso dos dirigentes dos BCs, com tanto os brasileiros como os americanos mostrando um tom mais duro. O economista-chefe para América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos, comenta que vai avaliar o documento em busca de pistas sobre a velocidade da alta de juros pela frente.

A consultoria inglesa TS Lombard avalia que o ambiente é favorável para o Brasil, o que ajuda o real e tende a favorecera Bolsa. "A recuperação da economia está ganhando fôlego na medida em que a vacinação avança e a demanda externa por commodities brasileiras permanece forte", comenta em nota os analistas para Brasil da TS, Wilson Ferrarezi e Elizabeth Johnson. Eles preveem o Banco Central elevando a taxa básica de juros, a Selic, para 6,5% ao final do ano.

Na semana passada, investidores estrangeiros fizeram forte reforço de posições contra o real, que ganham com a alta do dólar, e hoje voltaram a fazer algum desmonte, segundo participantes do mercado. Na mínima desta segunda, o dólar caiu a R$ 5,01. A moeda para junho fechou com queda de 1,54%, a R$ 5,0175.

Bolsa

Além da mudança no tom da fala dos dirigentes do Fed, a aceleração do calendário de vacinação contra a covid-19 em vários Estados do País também contribui para a perspectiva de retomada da economia no segundo semestre. Esses fatores, somada ao avanço da agenda liberal, com a privatização da Eletrobrás. No mês, o Ibovespa acumula ganho de 2,42% e, no ano, de 8,61%. Em Nova York, os ganhos nesta primeira sessão da semana chegaram, no fechamento, a 1,76%.

Com os contratos de petróleo em alta na sessão, buscando se reaproximar da marca de US$ 75 por barril, os ganhos em Petrobrás ON e PN superaram 2% no fechamento desta segunda. "Além disso, o Bank of America elevou a recomendação para Petrobrás, de neutra para compra, com novo preço-alvo", observa Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora. Para o papel PN, o valor sugerido pelo banco subiu de R$ 34,25 para R$ 37,50, possível avanço de 32,41% na mesma comparação.

O dia também viu boa recuperação para Vale ON, hoje em alta de 0,94%, e especialmente para as ações de siderurgia, com ganhos de até 2,72% para Gerdau PN, apesar da forte queda nesta segunda de quase 5% nos preços do minério de ferro na China. Destaque também para a alta de 7,88% do Pão de Açúcar. "Os papéis subiram mais de 7% com a notícia de que Michael Klein está montando uma posição acionária no Grupo - Klein teria interesse em comprar o GPA, caso o Casino decida vender sua posição", diz Lucas Collazo, especialista da Rico Investimentos.

Também chamou atenção a alta das ações da Eletrobrás, com PNB e ON avançando 3,42% e 2,92% cada. Hoje, o relator da medida provisória que permite a privatização da estatal na Câmara, Elmar Nascimento (DEM-BA), disse que os deputados vão retirar uma parte das alterações que os senadores incluíram no texto aprovado na última quinta-feira, 17. A Casa votará o texto novamente hoje. /ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, LUÍS EDUARDO LEAL E MAIARA SANTIAGO

Estadão
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